CaixaBI: Venda das revistas da Impresa é “um passo necessário”

Banco indica que decisão da Impresa de alienar ativos no setor das revistas é "um passo necessário" no sentido de "uma maior desalavancagem" do grupo. Deadline da venda é até ao final do ano.

A Impresa IPR 3,50% quer vender a maioria das revistas do grupo até ao final do ano, ou então fechá-las. A notícia foi conhecida esta quarta-feira e surpreendeu o mercado, provocando uma pressão vendedora sobre as ações da companhia. Ao que o ECO apurou, no segmento de publishing, a Impresa só deverá ficar com o Expresso e a Caras. Para o CaixaBI, este “reposicionamento estratégico” é “um passo necessário”.

O banco de investimento da Caixa Geral de Depósitos emitiu uma nota de research esta quinta-feira onde faz referência às ações da Impresa. A analista Helena Barbosa começa por apontar para a queda homóloga de 6,6% nas receitas deste segmento, que inclui revistas como a Visão, e que se fixaram em 22,3 milhões de euros no primeiro semestre do ano. A dívida líquida do grupo era, no final deste período, de 189,1 milhões de euros.

Face a este cenário, a analista não tem dúvidas: “O reposicionamento estratégico ao nível do setor das revistas surge como um passo necessário tendo em vista uma maior desalavancagem da Impresa”, lê-se no relatório. Isto, somando a desistência de uma emissão de obrigações em julho, em que a dona da SIC pretendia angariar até 35 milhões de euros, alegando alterações no setor — ou seja, o anúncio da venda da concorrente TVI à Meo/Altice. O ECO soube, na altura, que o verdadeiro motivo foi a pouca procura por parte do mercado.

O reposicionamento estratégico ao nível do setor das revistas surge como um passo necessário tendo em vista uma maior desalavancagem da Impresa.

Helena Barbosa

Analista do CaixaBI

A Impresa confirmou esta quarta-feira as intenções de reduzir a sua “exposição ao setor das revistas”, passando a focar-se essencialmente nas “componentes do audiovisual e do digital”. Ao que o ECO apurou junto de fontes próximas da empresa, em causa está a venda de títulos como as revistas Visão ou a Blitz, entre outras. Cerca de 200 postos de trabalho estarão em risco, segundo números avançados pelo Sindicato dos Jornalistas.

As ações do grupo chegaram a cair 10,22% na sessão desta quinta-feira. A sangria na bolsa acalmou ligeiramente e, pelas 10h20, as ações desvalorizavam 8,36% para 29,6 cêntimos, com um volume de transações superior a 747.600, acima da média diária de 597.552 títulos. Apesar de tudo, o CaixaBI mantém a recomendação de “Buy” sobre os títulos do grupo de media português, com um preço alvo de 30 cêntimos.

Cotação das ações da Impresa na bolsa de Lisboa (PSI Geral)

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