Impresa derrapa mais de 8% com venda ou fecho das revistas

Os títulos da Impresa estão sob pressão com a notícia de que o grupo vai vender ou fechar a esmagadora maioria dos negócios na área de publishing. Chegaram a cair acima de 10%.

As ações da Impresa estão sob pressão esta quinta-feira. Os títulos chegaram a cair 10,22%, reagindo à notícia de que o grupo quer vender ou fechar a esmagadora maioria dos negócios na área de publishing, incluindo a revista Visão. Entretanto, as ações recuperaram ligeiramente, caindo 8,67% ainda assim, com mais de 355.000 títulos transacionados.

A informação chegou esta quarta-feira, já depois do fecho dos mercados. A dona da SIC e do Expresso quer reduzir a sua “exposição ao setor das revistas” e “procederá a um reposicionamento estratégico” com “enfoque primordial nas componentes do audiovisual e do digital”, confirmou a empresa em comunicado.

Concretamente, ao que o ECO apurou junto de fontes próximas da empresa, está em causa a intenção de venda de títulos bem conhecidos dos portugueses, como as revistas Visão ou a Blitz. O plano é tentar vender até ao final do ano ou fechar os negócios, decisão que colocará em causa cerca de 200 empregos, de acordo com números indicados pelo Sindicato dos Jornalistas.

Cotação das ações da Impresa na bolsa de Lisboa (PSI Geral)

A Impresa tem estado sob pressão nos últimos meses, face a uma queda nas receitas neste segmento, sobretudo devido a uma quebra de 11,9% nas receitas de publicidade reportada pelo grupo nas contas do segundo trimestre deste ano. Além do mais, o grupo concorrente Media Capital, dono da TVI, está em vias de ser vendido à Meo/Altice, numa operação sem precedentes no setor dos media em Portugal, mas que já é tendência lá fora.

Foi, de resto, a justificação da dona da SIC para explicar o cancelamento de uma emissão de obrigações no mês passado, que pretendia angariar até 35 milhões de euros. O grupo liderado por Francisco Pedro Balsemão ainda prolongou por duas vezes o prazo de subscrição da operação, mas acabou por anunciar a desistência, justificando a decisão com as alterações no setor (isto é, a venda da TVI). Contudo, o ECO apurou que a verdadeira razão foi a pouca procura por parte dos investidores.

É um mau presságio a pairar sobre o setor dos media, não só em Portugal como também nos mercados internacionais. Esta quarta-feira, o grupo WPP, um dos maiores grupos de comunicação e publicidade, emitiu um alerta aos investidores, indicando que as receitas praticamente não deverão crescer este ano. Face à informação, os títulos sofreram a maior hemorragia em 17 anos, tendo caído 11,54% em Londres.

CaixaBI: Reposicionamento da Impresa é “um passo necessário”

Numa nota de research divulgada na manhã desta quinta-feira, o CaixaBI faz referência ao “reposicionamento estratégico” do grupo Impresa, nomeadamente à “avaliação” do portefólio e possível “alienação de ativos”.

Para a analista Helena Barbosa, do banco de investimento da Caixa Geral de Depósitos, “o reposicionamento estratégico ao nível do setor das revistas surge como um passo necessário, tendo em conta uma maior desalavancagem da empresa”. A instituição manteve inalterada a recomendação “Buy” para os títulos da Impresa.

(Notícia atualizada às 9h18 com nota de research do CaixaBI)

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