Afinal, quanto valem as revistas que Balsemão quer vender?

Impresa quer vender a sua unidade de publishing, mantendo apenas o semanário Expresso e a revista Caras. Analistas avaliam negócio em seis milhões de euros. Mercado só dá quatro milhões.

Impresa quer vender revista Visão.Paula Nunes / ECO

A Impresa pretende vender a sua unidade de publishing, que inclui revistas como a Visão, numa estratégia de reposicionamento empresarial que visa concentrar a atividade do grupo de media nas áreas mais rentáveis. Mas o negócio das revistas não vale mais do que seis milhões de euros para o BPI Research.

Segundo foi anunciado esta semana, o grupo de media liderado por Francisco Pinto Balsemão pretende manter o semanário Expresso e a revista do social Caras, assim como a estação televisiva SIC e o negócio digital, ao passo que outras publicações, como as revistas Visão, Visão Júnior e Visão História são para alienar ou, na falta de um comprador até final do ano, para fechar.

“A Impresa procederá a um reposicionamento estratégico da sua atividade, que implicará uma redução da sua exposição ao setor das revistas e um enfoque primordial nas componentes do audiovisual e do digital”, referiu. “Nesse sentido, iniciou um processo formal de avaliação do seu portefólio e respetivos títulos, que poderá implicar a alienação de ativos”, sublinhou ainda.

Publishing vale seis milhões… a contar com o Expresso

Para os analistas do BPI Research, a unidade de publishing como um todo (jornais+revistas) representa 8% da avaliação que fazem da Impresa IPR 0,00% . Com um preço-alvo de 0,45 euros atribuído às ações do grupo, o banco de investimento avalia a cotada em 75,6 milhões de euros. Ou seja, as revistas e jornais valem pouco mais do que seis milhões de euros. Expresso, que a Impresa não quer vender, incluído.

Os analistas assumem que não têm grande visibilidade acerca da atividade individual das revistas e jornais. Mas não deixam de salientar a pressão que o segmento das revistas tem vindo a enfrentar por causa da quebra do mercado publicitário.

“O mercado de publicidade nas revistas está a passar por um mau momento, depois de ter caído 20,7% no segundo trimestre do ano e quedas de dois dígitos têm sido uma constante em 2016. Na nossa opinião, o momento publicitário difícil em Espanha poderá ter sido o gatilho para a decisão da empresa de desinvestir nestes ativos”, argumenta o banco de investimento.

"O mercado de publicidade nas revistas está a passar por um mau momento, depois de ter caído 20,7% no segundo trimestre do ano e quedas de dois dígitos têm sido uma constante em 2016. Na nossa opinião, o momento publicitário difícil em Espanha poderá ter sido o gatilho para a decisão da empresa de desinvestir nestes ativos.”

BPI Research

Iberian Daily

Os seis milhões representam apenas uma estimativa dos analistas do BPI Research. A preços de mercado, a avaliação que os investidores fazem da Impresa é bem mais reduzida: o grupo de media apresenta-se com uma capitalização bolsista de 53,1 milhões de euros, conferindo aos 8% da unidade de publishing uma avaliação de apenas 4,2 milhões de euros. Expresso incluído.

Analistas aplaudem medida

Num quadro de mudanças no setor de media em Portugal, depois da aquisição da Media Capital pela Altice por 420 milhões de euros, os analistas consideram que a alienação do segmento de revistas é um “passo necessário” no sentido de reduzir a dívida da Impresa, depois de o grupo não ter conseguido pedir um empréstimo de 35 milhões de euros do mercado.

“O reposicionamento estratégico ao nível do setor das revistas surge como um passo necessário tendo em vista uma maior desalavancagem da Impresa”, segundo um nota publicada esta semana pelo CaixaBI. Para o BPI Research, “a decisão da empresa de focar-se nas áreas mais lucrativas encaixa bem no plano estratégico, que pretende melhorar a posição financeira da empresa”.

O BPI Research lembra que o grupo de media já implementou dois processos de reestruturação na unidade de publishing em 2015 (1,5 milhões de euros) e 2016 (dois milhões).

"O reposicionamento estratégico ao nível do setor das revistas surge como um passo necessário tendo em vista uma maior desalavancagem da Impresa.”

Helena Barbosa

CaixaBI

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