Haitong agrava prejuízos para 80 milhões no semestre

O Haitong Bank, antigo BESI, registou prejuízos de 80 milhões de euros no primeiro semestre do ano, depois de ter registado uma quebra das suas receitas para quase metade.

O Haitong Bank agravou os prejuízos para 79,8 milhões de euros no primeiro semestre do ano (face aos prejuízos de 20 milhões do período homólogo), depois de ter registado uma quebra de 45% no produto bancário dos 66 milhões de euros para os 36 milhões. Também os custos operacionais se agravaram em função da reestruturação que o banco de investimento têm em curso, com os custos com pessoal a subirem 24% para 60 milhões de euros. Mesmo sem o impacto da reestruturação, cuja fatura ascendeu a 35 milhões de euros, o resultado operacional do Haitong teria sido negativo em 19 milhões de euros, o que mostra a dificuldade do banco em encontrar um modelo de negócio para gerar receitas.

De facto, o segundo semestre trouxe menos negócio ao ex-BESI. Ainda que a margem financeira tenha aumentado 40% para 32 milhões de euros, o banco viu as comissões caírem 8,5% para 26,2 milhões. Mas o pior desempenho pertenceu mesmo ao segmento de atividade Mercados, onde registou perdas de 22 milhões de euros depois de ganhos de 14 milhões no mesmo período do ano passado.

O banco fala em operações que foram descontinuadas, sobretudo as que não traziam lucro, enquanto procedeu a uma reestruturação do seu modelo de negócio no sentido de melhorar a eficiência e que levou à saída de trabalhadores do grupo, sobretudo em Portugal, Espanha, Brasil e Reino Unido. “A parte mais relevante da reestruturação já foi concluída mas durante os próximos meses o Banco irá prosseguir com a implementação de algumas iniciativas de reorganização e otimização dos custos administrativos”, diz o Haitong no comunicado enviado ao mercado.

Ainda assim, não deixa de sublinhar a limitação dos recursos de balanço do banco que “não permitiram apoiar novos negócios com os clientes” e que tiveram impacto no seu negócio. Mais concretamente, o Haitong viu os recursos de outras instituições de crédito afundar 28,6% dos 1.974,1 milhões de euros para os 1.409 milhões e os recursos de clientes recuarem 10,8% para 655,9 milhões de euros.

“A capacidade de investir em novos ativos com rendimentos de rentabilidade mais elevada e de gerar comissões através do cross-selling com operações de assessoria e mercado de capitais revelou-se bastante restrita durante o período em análise”, argumenta.

Argumenta ainda que os resultados “foram também penalizados por imparidades no semestre no montante de 38 milhões de euros, acima dos três milhões de euros verificados no período homólogo de 2016”.

Ao mesmo tempo o Haitong anunciou que conclui um aumento de capital de 38,5 milhões de euros. “O capital aumentado foi subscrito e realizado na totalidade pela accionista controladora do Banco, a Haitong International Holdings Limited”, informou o banco de investimento num comunicado separado.

Os problemas do Haitong não se limitam aos resultados. Neste momento, o banco está ainda sem apresentar uma nova administração, quando o mandato terminou em dezembro de 2016. E é público que houve recusas de alguns dos convidados, como Pedro Rebelo de Sousa ou António Domingues. Além disso, sabe-se, o Banco de Portugal já comunicou ao Haitong que não aceita um nome para CEO – um chinês sem experiência necessária. Há, portanto, um impasse ainda sem fim à vista.

(Notícia atualizada às 19h01)

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