Alemanha quer passar a pente fino o acionista chinês da TAP

  • ECO
  • 8 Setembro 2017

O grupo chinês HNA vai ser investigado pelas autoridades alemãs se aumentar para mais de 10% a sua percentagem de capital do Deutsche Bank. CEO garante que não tem nada a esconder.

As autoridades alemãs vão avançar com um processo de investigação caso o grupo chinês HNA aumente a sua posição no capital no Deutsche Bank para mais de 10%. A empresa já se defendeu assegurando que nada tem a esconder. “A transparência é a melhor política”, diz o CEO.

O acionista indireto da TAP (através da Azul) detém atualmente 9,9% do capital do banco alemão, um valor abaixo da fasquia a partir da qual este processo é automaticamente desencadeado.

Em declarações à Bloomberg, Felix Hufeld, presidente do BaFin, o regulador financeiro alemão, disse que os investidores devem atender a certos critérios para esse tipo de investimento num banco ou numa seguradora.

“Se adquirirem [HNA] uma participação superior a 10%, iremos considerar que se trata de uma participação significativa e procederemos a uma investigação mais abrangente em relação à integridade, transparência e capacidade de capital, etc.”, acrescenta Hufeld, esclarecendo que têm “regras bastante claras”.

Numa conferência em Hong Kong esta sexta-feira, Wang Shuang, diretor de investimentos e CEO do grupo, garantiu que “a razão pela qual o grupo HNA tenta ser transparente é porque não tem nada a esconder. A transparência é a melhor política”.

Nos últimos três anos, os chineses HNA investiram mais de 40 mil milhões de dólares em aquisições e investimentos além-fronteiras, convertendo-se num dos maiores investidores internacionais da China. Estas aquisições também atraíram as atenções do governo chinês que tem avaliado minuciosamente os riscos que este tipo de investidores pode representar para o sistema financeiro do país.

O presidente do BaFin esclarece que esse escrutínio seria feito com qualquer investidor, fosse ele alemão ou de qualquer outro país da Europa. “Estamos sempre recetivos a receber capital estrangeiro. Mas iremos sempre realizar um escrutínio bastante exaustivo para perceber se esse investidor é, ou não, elegível para adquirir essa percentagem”, disse Hufeld.

De acordo com as regras da União Europeia, participações bancárias superiores a 10% requerem sempre aprovação regulamentar. E podem ser rejeitadas se o investidor suscitar algum tipo de desconfiança ou não for financeiramente robusto.

O grupo HNA tem vindo a ter uma vida difícil em Wall Street, sendo que várias entidades se mostram reticentes com a elevada dívida do HNA. Em julho deste ano, o BCE iniciou uma avaliação dos dois principais acionistas do Deutsche Bank — a família real do Qatar e a chinesa HNA.

"A aprovação do processo tem como objetivo assegurar que apenas os investidores mais adequados entrem no sistema bancário para evitar qualquer disrupção no normal funcionamento do sistema.”

BCE

A empresa detém indiretamente cerca de 20% do capital da TAP, através de uma participação de 13% na Azul (companhia do brasileiro David Neelman que integra a Atlantic Gateway) e uma participação de 7% na Atlantic Gateway.

Sem aparentes motivos para preocupações, Shuang acrescenta que o grupo HNA está “na melhor situação financeira”.

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