Passos desafia Costa a dizer o que quer para o país nos próximos anos

  • Lusa
  • 13 Setembro 2017

O líder do PSD desafiou o Governo a dizer “o que quer fazer" e quais "as prioridades" do ponto de vista dos grandes eixos de afirmação de Portugal nos próximos anos.

O presidente do PSD disse esta quarta-feira em Dornes, concelho de Ferreira do Zêzere (distrito de Santarém), que o partido não ficará de fora da discussão sobre os “grandes eixos de afirmação de Portugal nos próximos anos”.

Pedro Passos Coelho, que esteve reunido com autarcas social-democratas de cinco concelhos do distrito de Santarém afetados pelos incêndios deste ano, afirmou que a declaração feita terça-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, apelando a um consenso numa “estratégia nacional que permita uma década de convergência com a União Europeia”, não constitui uma novidade e que o PSD “participará sempre” na discussão de matérias que “pertencem ao país”.

O líder social-democrata afirmou que as questões da coesão do território, da qualificação dos recursos, de aposta na valorização estratégica do país não constituem novidade e estavam já consensualizadas, não sendo matéria para um “concurso de ideias”. “É preciso depois trocar isso por miúdos, saber o que significa, em que é que o Governo está a pensar, para não promover um debate mais ou menos vazio em que o Governo se apresenta aos portugueses como quem lança um concurso de ideias: ‘ora digam-nos lá o que é que acham que isto deve ser’. Ora isto não é um concurso de ideias, nem de ideias gerais”, disse.

Passos Coelho desafiou o Governo a dizer “o que quer fazer, quais são as suas prioridades”, no que “é que está a pensar do ponto de vista dos grandes eixos de afirmação de Portugal nos próximos anos”, sublinhando que não conhece o trabalho feito pelo executivo nesta matéria. “Se o Governo fez, nós ainda não conhecemos”, declarou, frisando que o PSD “participará sempre nestas matérias, porque estas não são matérias que pertençam ao Governo, são matérias que pertencem ao país, aos portugueses”, e o partido não ficará de fora dessa discussão.

Para o líder social-democrata, este é um debate “muito relevante para fazer para futuro”, insistindo que nesta matéria “nunca há ideias muito criativas nem muito inovadoras” porque os problemas estruturais do país “não mudam com facilidade”. O presidente do PSD reafirmou ainda a ideia de que o nível de execução do atual quadro comunitário é “muito baixo”, com áreas que o Governo tem considerado relevantes – como as que servem as obras públicas –, e que são consensuais, paradas.

Como exemplo apontou o facto de se continuar a falar da ligação em bitola europeia entre o porto de Sines e Caia, questionando se é para depois de 2020 ou para ser executada no atual quadro, pois já estava prevista. “Estamos a reprogramar as coisas dentro do atual quadro, porque o atual Governo tomou a decisão de não avançar com esses projetos que já estavam previstos e agora é preciso recalendarizá-los para que eles possam ir para a frente e ser financiados no âmbito do atual quadro financeiro, ou o Governo já desistiu deles e simplesmente quer reprogramá-los para depois de 2020? São respostas que ainda não obtivemos”, declarou.

António Costa insistiu terça-feira, na primeira sessão de lançamento da discussão sobre o futuro quadro comunitário, na aprovação formal por dois terços do Plano Nacional de Infraestruturas, considerando essencial uma estratégia nacional que permita uma década de convergência com a União Europeia.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Passos desafia Costa a dizer o que quer para o país nos próximos anos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião