Governo “já aceita ir mais longe” no IRS

  • ECO
  • 21 Setembro 2017

A líder bloquista acredita que o Executivo está comprometido para ir mais longe nas alterações no IRS. O objetivo principal do BE é que não haja mais carga fiscal sobre rendimento do trabalho.

Catarina Martins está confiante de que Mário Centeno está disponível para ir mais além do que os 200 milhões de euros de alívio fiscal no IRS no Orçamento de Estado para 2018. Em entrevista à TSF, a líder do Bloco de Esquerda disse que quer, acima de tudo, diminuir os impostos sobre o rendimento do trabalho, incluindo para os de escalões superiores. O objetivo é aumentar a carga fiscal nos rendimentos prediais e capitais.

“Creio que o Governo já aceita ir mais longe. É preciso saber qual é o montante. Queremos um alivio fiscal que as pessoas possam sentir e não dizer apenas há alivio fiscal e depois as pessoas não sentirem nada no seu salário e na sua pensão. Queremos garantir que nenhum rendimento do trabalho tem mais encargo fiscal“, defendeu Catarina Martins esta quinta-feira de manhã.

Em alternativa, a líder do BE sugere que os rendimentos com rendas de casa, ações e juros de contas a prazo deviam ser tributados em sede de IRS para beneficiar a classe média. “Há rendimentos nomeadamente de capital ou propriedade que pagam pouco impostos, tendo em conta os impostos que pagam quem vive do seu salário ou da sua pensão”, afirmou Catarina Martins, uma possibilidade que já tinha avançado na semana passada.

Quanto às negociações, a líder bloquista considera que este ano têm sido um processo mais fácil. “A divergência é normal e quando debatemos sobre divergências chegamos a melhores soluções do que os pontos de partida iniciais”, argumentou.

Um dos pontos que Catarina Martins quer acelerar o processo é com o fim do fator de sustentabilidade nas reformas nos casos dos trabalhadores com 40 anos de carreia contributiva e 60 anos de idade. A BE quer que isso aconteça no OE2018, argumentando que a medida “custa apenas 70 milhões de euros”.

Já sobre o futuro, num possível Governo de coligação, após as eleições legislativas de 2019, o Bloco quererá a pasta das Finanças e a do Trabalho. Quanto à atuação de Marcelo, Catarina Martins classifica-a de equilibrada, mas diz que o Presidente da República tem sido igual a si próprio.

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