? A economia portuguesa de 2017 a 2021 em 5 gráficos, segundo o Conselho das Finanças Públicas

Como vai evoluir a economia portuguesa nos próximos quatro anos? A resposta foi dada pelo Conselho das Finanças Públicas, que fez os cálculos tendo por base um cenário de políticas invariantes. Estas são as projeções de como a economia evoluiria se nada mudasse. De 2017 a 2021, o trajeto traçado é mais positivo do que negativo.

A começar pelo PIB de 2017 que vai surpreender face ao que se esperava no início do ano. No entanto, o CFP projeta que o PIB abrande até estacionar nos 1,7% em 2021. Já os indicadores do défice, emprego e dívida deverão melhorar consecutivamente nestes quatro anos. O ECO reuniu cinco gráficos que resumem as projeções do CFP.

Défice continua a cair

Fonte: Conselho das Finanças Públicas

A entidade liderada por Teodora Cardoso projeta um défice inferior à meta que o Governo definiu em abril no Programa de Estabilidade. O CFP justifica esta revisão com os desenvolvimentos macroeconómicos dos últimos meses em Portugal: “A revisão do cenário macroeconómico, cujas alterações revelam uma conjuntura mais favorável face a março, constitui o fator mais relevante para as alterações registadas nos agregados orçamentais projetados”.

Apesar de deixar avisos e riscos face ao futuro, principalmente por causa das “tentações” dos Governos, o Conselho das Finanças Públicas projeta que o défice continue a descer até 2021, mas sem chegar ao superávite (saldo orçamental positivo) que o Executivo prevê. “Os bons resultados recentes e a confiança por eles suscitada têm de ser aproveitados para lhes responder [aos problemas da economia portuguesa], sem voltar a cair na tentação dos estímulos baseados no impacto imediato do aumento das despesas públicas”, aponta o CFP.

PIB cresce 2,7% em 2017. Depois abranda

Fonte: Conselho das Finanças Públicas

É a surpresa do ano, ainda que o final de 2016 já tivesse indiciado esta trajetória. O CFP reviu em alta a sua projeção para a subida do PIB, em 2017, de 1,7% no relatório de março para 2,7% no relatório revelado esta quinta-feira. Porquê? O PIB deste ano “beneficia de um efeito base face ao ano anterior”, diz o Conselho. No total, a economia cresceu 1,4% em 2016.

Nos anos seguintes o crescimento do PIB vai desacelerar, principalmente pelo abrandamento do seu principal motor, a procura interna. Por outro lado, o contributo das exportações líquidas passará a ser ligeiramente negativo. Ainda assim, existem riscos potencialmente devastadores: a apreciação do euro, o aumento das políticas protecionistas, uma dinâmica menos favorável da procura externa e a reversão da política de estímulos do BCE.

Rácio da dívida pública diminui

Fonte: Conselho das Finanças Públicas

Em resultado deste crescimento económico, o CFP indica que em 2017 o rácio da dívida pública desça para os 126,8%. Numa entrevista há duas semanas, Mário Centeno, ministro das Finanças, tinha apontado para os 127,7% do PIB em 2017. Já o Programa de Estabilidade de abril elaborado pelo Governo referia 127,9%.

Estas projeções têm alguns pressupostos: primeiro, que o “impacto cumulativo” dos ajustamentos défice-dívida seja menos favorável; segundo, que Portugal registe excedentes primários mais elevados; e ainda que os juros contribuam menos para o aumento do stock da dívida e que o PIB nominal tenha um impacto mais favorável.

Além disso, o CFP esclarece que “a diminuição menos acentuada em 2020 tem por base os dados mais recentes divulgados pelo Ministério das Finanças e pelo IGCP, que apontam para um significativo aumento de depósitos bancários em 2020 no sentido de fazer face às amortizações de dívida que irão ocorrer nesse ano e em 2021”.

Emprego cresce, mas menos. Desemprego continua a cair

Fonte: Conselho das Finanças Públicas

O CFP espera uma contínua recuperação do mercado de trabalho. O emprego acelera em 2017, depois vai abrandar, mas continuará a contribuir para a diminuição gradual da taxa de desemprego. O Conselho das Finanças Públicas vê a taxa de desemprego nos 6,8% em 2021.

As notícias menos boas vêm do lado da produtividade e do aumento dos salários. “O movimento de redução nas perdas de competitividade deverá manter-se ao longo de todo o horizonte de projeção apesar da ligeira aceleração das remunerações médias por trabalhador em 2018, a qual é compensada pela recuperação expressiva no crescimento da produtividade (1%)”, lê-se no relatório da entidade liderada por Teodora Cardoso.

Exportações lado a lado com importações. Excedente comercial deteriora-se

Depois de se manter estável em 2017, a balança comercial vai piorar. A projeção do CFP vê o excedente comercial de 0,9% do PIB a chegar aos 0,2% em 2020 e ficar mesmo com saldo nulo em 2021. “De acordo com os cálculos do CFP, que têm por base os dados do FMI publicados no WEO de abril de 2017, é esperada, para o período compreendido entre 2018 e 2021, uma relativa estabilização da taxa de crescimento da procura externa dirigida a Portugal em torno de 3,7%”, sintetiza o CFP.

“Em 2017, e em menor grau em 2018, o comportamento das exportações traduz não só a expansão da procura externa dirigida à economia portuguesa mas também uma expectativa de ganhos de quota de mercado“, explica o Conselho das Finanças Públicas, assinalando que as importações terão um comportamento semelhante.

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