Em atualização Morreram pelo menos cinco pessoas vítimas dos incêndios deste domingo

  • Lusa e ECO
  • 15 Outubro 2017

Morreram cinco pessoas em incêndio em Penacova, no Distrito de Coimbra, e uma na Sertã, em Castelo Branco. Leia aqui quais são as 20 estradas que estão cortadas.

Mais de 20 estradas estão cortadas devido a incêndios, entre autoestradas (A1, A11 e A25), estradas nacionais, estradas municipais, itinerários principais (IP3 e IP6) e itinerários complementares, segundo a informação recolhida pela Agência Lusa. E, até ao momento, estão confirmadas três mortes, duas no incêndio em Penacova, distrito de Coimbra, e outra na Sertã, no Distrito de Castelo Branco. E, ao início da madrugada, a Sic Notícias e a avançava que havia mais duas vítimas mortais, dois irmãos, em Oliveira do Hospital, com cerca de 40 anos que estavam a ajudar no combate Às chamas.

O Jornal de Notícias dava também conta de uma sexta vítima mortal, indireta, por ter entrado em contramão na autoestrada A25, na tentativa de fugir às chamas.

O alerta vermelho mantém-se até às 20h00 de segunda-feira apesar das previsões de chuva, avançou a adjunta de operações nacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) Patrícia Gaspar.

Perante a “situação de emergência que se vive em Portugal continental devida aos incêndios rurais”, a Autoridade Nacional da Proteção Civil “ativou a linha telefónica 800 246 246 para responder aos pedidos de informação das populações não diretamente relacionados com as operações de proteção e socorro em curso levadas a cabo pelos agentes de proteção civil que intervêm nos diversos teatros de operações por todo o país”, revela uma nota da Proteção Civil.

A Segurança Social já está a disponibilizar locais para apoio psicossocial direto, de emergência, às populações afetadas pelos incêndios. Num comunicado enviado às redações à 00h45 era especificado que as populações de Monção, Viana do Castelo, se devem dirigir para o Pavilhão Gimnodesportivo de Monção ou para a Escola EB 2 + 3. Já no distrito da Guarda, as populações de Seia devem ir para os 2 Pavilhões Gimnodesportivo e as de Gouveia para o Pavilhão Gimnodesportivo de Gouveia e para o Seminário de Gouveia. Em Coimbra, os pontos de apoio são na Irmandade Nossa Senhora das Necessidades para as populações de Vila Nova de Poiares; o Quartel dos Bombeiros da Lousã e o Pavilhão Gimnodesportivo de Penacova. Cerca de meia hora depois, a Segurança Social anunciou a abertura de mais postos nomeadamente em Oleiros na residência de estudantes e na Santa Casa da Misericórdia de Oleiros.

Além destes apoios, existe uma Linha Nacional de Emergência Social — ligar 144 (número gratuito) — para obter informações sobre os locais onde está a ser prestado o apoio.

Cruzando os dados disponibilizados pela GNR e os que constam no Portal das Estradas da Infraestruturas de Portugal, ao nível de autoestradas, além da A1, também há um corte total da A11 (em Figueiredo e Silvares, distrito de Braga) e da A25 (Aveiro).

Em termos de estradas nacionais (EN), estão cortadas no distrito de Castelo Branco a EN 238 (Maxial da Estrada, Sertã, Castelo Branco), a EN 353 (Idanha-a-nova, Castelo Branco), a EN 350 (Pedrógão Pequeno, Sertã, Castelo Branco) e a EN 238 (Cruz do Fundão, Sertã, Castelo Branco).

No distrito de Coimbra, está fechada a EN 17 (Lagos da Beira, Oliveira do Hospital, Coimbra). A mesma EN 17 está também cortada em Folhadosa, Seia, Guarda. Na Guarda há igualmente registo do corte da EN 232 (entre Gouveia e Manteigas).

Em Viana do Castelo, está encerrada a EN 202 (entre Trovisco e Bela e entre Barbeita e Monção).

No distrito de Viseu, está cortada a EN 553 (Feirão, Resende, Viseu). Já no distrito de Aveiro, também estão cortadas devido a incêndio a EN 235 (Palhaça) e a N109 (Vagos).

Quanto aos itinerários principais, há um corte do IP6 – Itinerário Principal da Estremadura e Beira Baixa (Olho Marinho) e do IP3 – Itinerário Principal da Beira Litoral (Penacova).

Também está cortado o Itinerário Complementar (IC) 9 (Carregueiros, Tomar, Santarém). Depois, há uma série de estradas municipais (EM) cortadas: EM 1232 (Prilhão, Lousã, Coimbra), EM 522 (Póvoa de Serpins, Lousã, Coimbra), EM 1087 (Feirão, Resende, Viseu), EM 553-1 (Panchorra, Resende, Viseu), e a EM 1154 (Soutelo, Castro Daire, Viseu). Há ainda alguns arruamentos em que a circulação automóvel foi cortada, como em Alcobaça (Leiria) e na Ericeira (Mafra).

Ao fim da tarde deste domingo, a adjunta de operações nacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) Patrícia Gaspar tinha afirmado que este domingo “foi o pior dia do ano em matéria de incêndios”, tendo sido ultrapassados os 300 fogos florestais.

A adjunta de operações da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) Patrícia Gaspar, fala aos jornalistas durante a conferência de imprensa para balanço da situação dos incêndios em Portugal, Oeiras. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

“Já ultrapassámos os 303 incêndios desde a meia-noite”, afirmou Patrícia Gaspar, no ‘briefing’ das 17h30 aos jornalistas, sublinhando que estavam àquela hora “todos os meios disponíveis empenhados no combate aos incêndios”.

A responsável da ANPC afirmou ainda que, às 17h30, existiam 13 incêndios de importância elevada, destacando como mais graves os de Monção, o de Seia, o de Vale de Cambra, Lousã, Sertã e Arganil.

Ministra da Administração Interna preside à reunião extraordinária na ANPC

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, presidiu à reunião extraordinária do Centro de Cooperação Operacional Nacional (CCON), a decorreu este domingo ao fim da tarde na Autoridade Nacional de Proteção Civil. Horas mais tarde (pela 1h00 da manhã de segunda-feira) e perante a evolução desfavorável dos incêndios o primeiro-ministro, António Costa, deslocou-se também para Carnaxide para acompanhar a evolução de mais de 100 fogos que continuavam ativos à 1h30 de segunda-feira, 40 dos quais com gravidade.

Fonte do Ministério da Administração Interna (MAI) disse à agência Lusa que a reunião extraordinária foi convocada devido aos incêndios que estão a lavrar no país.

Fazem parte do CCON os agentes de proteção civil, como a GNR, PSP, Instituto Nacional de Emergência Médica e Instituto Português do Mar e da Atmosfera, além de outras entidades que cada ocorrência em concreto venha a justificar.

Secretário de Estado aponta origem criminosa para fogos de hoje

O secretário de Estado da Administração Interna considerou que os incêndios florestais registados este domingo têm origem criminosa, uma vez que as áreas que estão a arder são aquelas onde há pastorícia. “As áreas onde há pastorícia estão todas a arder. Isto não é por acaso”, disse Jorge Gomes, que está em Arouca, onde está situado o posto de comando do incêndio de Vale de Cambra, no distrito de Aveiro, à agência Lusa.

Questionado se considerava que os incêndios deste domingo tinham origem criminosa, o secretário de Estado respondeu: “Sim”. “Não se põe um país arder de um dia para outro só porque se anunciou que amanhã [segunda-feira] vai haver chuva. Como vai haver chuva, os pastos estão proibidos de fazer queimadas, foi prolongada a proibição até 31 de outubro, há gente que não resiste a isso, que olha para os seus interesses pessoais”, sustentou.

Jorge Gomes disse também que este domingo está a ser um “dia muito complicado”, existindo “quase 19 grandes incêndios” e é o dia do ano em que se registam “em simultâneo” o maior número de fogos de grande dimensão. O secretário de Estado garantiu ainda que “estão todos os meios mobilizados”, não estando a ser retirados dos distritos que não têm fogos, porque também pode surgir nestas zonas incêndios.

“O dispositivo foi reforçado desde a semana passada em 1.000 homens porque as condições do tempo não desagravavam. Mas isto é tudo insuficiente. Não há muito a fazer a não ser combater os incêndios e defender as pessoas e os seus bens. É isso que estão a fazer os operacionais”, acrescentou.

Seis bombeiros com ferimentos ligeiros no combate a incêndios na Guarda

Estas ocorrências, mais de 500 no domingo, que faz deste o dia com o maior número de ignições, já fizeram pelo menos 25 feridos, segundo a Proteção Civil.

 

Entre estes estão seis bombeiros que ficaram ligeiramente feridos quando combatiam incêndios rurais em Pinhel, Celorico da Beira e Gouveia, no distrito da Guarda, disseram à agência Lusa fontes hospitalares e dos bombeiros. No combate a um incêndio em Mangide, na área da freguesia de Alto do Palurdo, no concelho de Pinhel, ficaram feridos dois bombeiros da corporação de Vila Franca das Naves, Trancoso.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Vila Franca das Naves, António Santos, disse à Lusa que um dos voluntários ficou intoxicado pelo fumo e outro registou queimaduras num dos membros inferiores. “Eles estão bem. Foram assistidos no SAP – Serviço de Apoio Permanente do Centro de Saúde de Pinhel e já tiveram alta hospitalar. Já estão em casa”, adiantou.

No Centro de Saúde de Pinhel foram também assistidos dois bombeiros da corporação local, que sofreram “pequenas queimaduras e já tiveram alta”, segundo fonte da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda.

A mesma fonte disse à Lusa que no serviço de urgências do Hospital Sousa Martins, na Guarda, deram entrada esta tarde dois bombeiros “com pequenos ferimentos”, resultantes do combate às chamas nos concelhos de Gouveia e de Celorico da Beira. Pelas 17:30 os dois “soldados da paz” ainda se encontravam no serviço de urgências.

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