Reservas angolanas atingem novos mínimos históricos em setembro

  • Lusa
  • 30 Outubro 2017

As reservas angolanas atuais garantem o equivalente a menos de meio ano de importações de alimentos, bens e equipamentos, tendo em conta as necessidades.

As reservas internacionais angolanas renovaram mínimos históricos em setembro, caindo 3% face a agosto, para 15.087 milhões de dólares (12.900 milhões de euros), metade do valor contabilizado antes da crise, no início de 2014.

A informação resulta de dados preliminares do Banco Nacional de Angola (BNA), a que a Lusa teve acesso esta segunda-feira, sobre as Reservas Internacionais Líquidas (RIL), indicando que só entre agosto e setembro, período após as eleições gerais em Angola, caíram mais 468 milhões de dólares (402 milhões de euros).

Estas reservas são necessárias nomeadamente para garantir importações de alimentos, maquinaria ou matéria-prima para as indústrias e já perderam, em valor, desde janeiro, mais de 5.700 milhões de dólares (4.920 milhões de euros).

Estes dados incorporam ainda uma revisão em baixa das reservas no mês de agosto, que passaram de 15.609 milhões de dólares (13,4 mil milhões de euros), nos dados preliminares anteriormente divulgados, para 15.555 milhões de dólares (13.372 milhões de euros).

No início de 2014, antes da crise da cotação do petróleo, as reservas angolanas ascendiam a 31.154 milhões de dólares (26.700 milhões de euros).

Angola enfrenta dificuldades financeiras, económicas e cambiais, tendo o BNA aumentado a venda de divisas (euros) à banca comercial angolana, que está sem acesso a dólares face à suspensão das ligações com correspondentes bancários internacionais. Desde agosto de 2016 que o banco central — que atualmente é o único fornecedor de divisas à banca comercial — tem vindo a aumentar a injeção de moeda estrangeira no mercado cambial primário. No entanto, desde as eleições gerais de 23 de agosto que essas vendas por parte do BNA caíram fortemente, para um ritmo semanal à volta de 100 milhões de euros.

As reservas angolanas atuais garantem o equivalente a menos de meio ano de importações de alimentos, bens e equipamentos, tendo em conta as necessidades, numa altura de forte contenção na disponibilização de divisas aos bancos. As reservas contabilizadas pelo BNA são constituídas com base em disponibilidades e aplicações sobre não residentes, bem como obrigações de curto prazo.

O Presidente angolano, João Lourenço, disse a 16 de outubro, na Assembleia Nacional, no discurso anual sobre o estado da Nação, que é necessário proteger estas reservas, mas sem que isso “prejudique” a recuperação económica. “Vamos encontrar os melhores mecanismos para que as escassas divisas disponíveis deixem de beneficiar apenas a um grupo reduzido de empresas e passem a beneficiar os grandes importadores de bens de consumo e de matérias-primas e de equipamentos que garantam o fomento da produção nacional”, enfatizou. “Importa impedir que a venda direta de divisas seja uma forma encapotada de exportação de capitais, sem o correspondente benefício para o país”, acrescentou.

Pouco mais de uma semana depois deste discurso, o governador do BNA, Valter Filipe, foi exonerado e já hoje tomou posse nas mesmas funções José de Lima Massano, que regressa ao cargo que ocupou até janeiro de 2015.

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