Família que detinha a Ongoing transferiu ativos para o Panamá

  • ECO
  • 4 Novembro 2017

A família Rocha dos Santos, dona da antiga Ongoing, que chegou a ser um dos maiores acionistas da Portugal Telecom, terá transferido ativos para o Panamá em meados de 2016, noticiou o Expresso.

A família Rocha dos Santos, dona da antiga Ongoing, terá concentrado riqueza no Luxemburgo desde 2008 e, a partir daí, com a empresa insolvente em 2016, transferiu parte dos ativos para o Panamá. A Ongoing foi um dos maiores acionistas da Portugal Telecom. A notícia foi avançada pelo Expresso este sábado [acesso pago].

De acordo com o semanário, o Luxemburgo foi sendo morada de uma série de empresas detidas pela Rocha dos Santos Holding SGPS, sedeada em Lisboa, ao longo dos últimos dez anos. Alegadamente, os registos de várias dessas companhias da Ongoing encontram-se desatualizados, com algumas a não prestarem contas há já quatro anos.

No entanto, o jornal teve acesso a documentação que mostra que a família terá transferido para o Panamá alguns dos seus ativos, logo a partir de 9 de maio de 2016. Entre as operações estão algumas transferências de propriedade de outras empresas: a Opportunity Two, uma sociedade instrumental detida pela holding da família, terá passado para as mãos de uma sociedade no Panamá com o nome de Addera SA. Esta, por sua vez, integrou a Golden Edge Luxembourg, que era detida pela Opportunity Two.

Segundo o jornal, a Opportunity Two teria, em 2014, ativos num montante superior a 15 milhões de euros, bem como uma receita futura de dez milhões. O Expresso refere que esse montante dirá respeito a uma participação na tecnológica Webspectator, uma empresa do ramo da publicidade digital. Apesar dos valores, a maior parte da fortuna da família Rocha dos Santos estará no fundo Ongoing International SICAV: em 2013, geria ativos no valor de 270 milhões de euros.

Atualmente, a Ongoing terá cerca de 1,28 mil milhões de euros de dívida e já começaram a ser vendidos alguns negócios da família, espalhados um pouco por todo o mundo. Só Nuno Vasconcellos, ex-líder da empresa, acumula uma dívida pessoal de 9,7 milhões de euros, mas só tem uma mota de água como único bem em seu nome.

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