Juros abaixo dos 2%? Há mais taxas para investidor ver

Portugal centra atenções de todo o mundo e não é só por causa do Web Summit. Nos mercados de dívida, o país também tem história positiva para vender. Apresentamos cinco taxas para investidor ver.

Portugal está sob os holofotes do mundo e não é só por causa da maior cimeira de tecnologia do mundo que trouxe mais de 60 mil participantes e oradores de todo o lado a Lisboa. Nos mercados de dívida internacionais, o país também aparenta estar na moda. A queda da taxa das obrigações a dez anos para um patamar abaixo dos 2% é sinal disso mesmo. Os investidores estão confiantes em relação ao bom momento que a República portuguesa atravessa. Mas nem sempre foi assim. Temos cinco “taxas e taxinhas” que contam a nossa história recente no que à dívida pública diz respeito.

1,56%

No dia 13 de março de 2015, o taxa das obrigações a 10 anos fixou um novo mínimo de sempre nos 1,56%. Cerca de um ano depois de Portugal ter anunciado uma “saída limpa” do programa de assistência financeira internacional, que vigorou no país entre 2011 e 2014, havia um maior otimismo dos investidores em relação à República. Mas também já se começava a sentir a presença de uma “mão invisível” nos mercados: o Banco Central Europeu (BCE) iniciou nesse mês o agressivo plano de compra de dívida pública na região que ajudou a conter o risco.

17,393%

Face ao mínimo histórico perto dos 1,5%, parece quase impossível acreditar que três anos antes, a 30 de janeiro de 2012, o juro que os investidores estavam a exigir para deter dívida portuguesa a dez anos estava acima dos 17%. Mas é verdade: fechou essa sessão com a taxa já perto dos 17,4%, a mais elevada de sempre e que na prática se traduzia numa impossibilidade de Portugal se financiar no mercado. Esta taxa refletia a enorme desconfiança dos investidores em relação à capacidade de cumprimento das suas obrigações financeiras. Isto depois de o país ter fechado 2011 com um défice superior a 10% e de Lisboa ter sido obrigado a pedir um resgate financeiro no valor de 76 mil milhões de euros.

0,66%

Se a taxa a dez anos cai para um patamar abaixo dos 2%, também há boas notícias nos restantes prazos da dívida portuguesa. Por exemplo, a yield implícita nas obrigações a cinco anos perdeu mais de quatro pontos base para os 0,666%, a taxa mais baixa de sempre, de acordo com os dados da Bloomberg.

125,7%

A dívida pública atingiu um novo recorde em agosto acima dos 250 mil milhões de euros (mais de 130% do Produto Interno Bruto), mas o Governo está tranquilo: no final do ano, o rácio da dívida vai descer para 125,7% do PIB, segundo indicou na proposta de Orçamento do Estado para 2018. No próximo ano há nova descida: o endividamento público cai para 123,5%. Os últimos dados do Banco de Portugal indicam que o stock da dívida pública já começou a descer em setembro. Do Ministério das Finanças há a expectativa de um “trambolhão”. Como? Com reembolsos ao mercado e com a aceleração dos pagamentos do empréstimo oficial do Fundo Monetário Internacional (FMI).

66%

Quase um terço do empréstimo do FMI já está inclusivamente reembolsado. No mês passado, o Governo procedeu a novo reembolso antecipado ao Fundo enviando um cheque de mil milhões de euros para Washington. No acumulado de 2017, Lisboa já abateu mais de seis mil milhões de euros à instituição liderada por Christine Lagarde, cerca de 66% do total do empréstimo de 26,3 mil milhões que Portugal obteve em 2011. Mas o objetivo passa por elevar este montante até oito mil milhões até final do ano, numa estratégia que permitirá ao Governo aproveitar o bom ambiente no mercado para substituir o empréstimo mais caro do FMI por nova dívida.

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