Farfetch atingiu 718 milhões de dólares em vendas em 2016

  • Juliana Nogueira Santos
  • 14 Novembro 2017

As contas do unicórnio português deixaram de estar no segredo dos deuses. A Farfetch esteve perto de atingir o objetivo estabelecido em 2016, com as vendas a acelerarem 81% face a 2015.

O unicórnio português que tem como cavaleiro José Neves alcançou, em 2016, o patamar dos 718 milhões de dólares em vendas, correspondendo a um crescimento de 81% face a 2015. A Farfetch tornou públicos os resultados do ano passado, que mostram uma escalada nas vendas e nas receitas, mas também nas perdas.

As receitas da empresa cresceram 74% comparando como o período homólogo, fixando-se nos 197,9 milhões de dólares. Ainda assim, a Farfetch expandiu as perdas de 36 milhões de dólares para 44,5 milhões de dólares (pouco mais de 38 milhões de euros). A maior fatia das vendas foi feita para fora do território europeu, com a China a afirmar-se como um mercado particularmente forte.

Até então, as contas da empresa eram um segredo dos deuses, com o presidente a afirmar que pôr os resultados, os montantes de investimento e a consolidação de contas nas mãos dos concorrentes seria não aproveitar uma margem de manobra que a empresa tem, por não estar cotada em bolsa. “Queremos manter essas vantagens competitivas em relação aos nossos concorrentes que já estão registados em bolsa e portanto são obrigados a divulgar essa informação”, explicou Neves em entrevista ao ECO.

Ainda assim, os 800 milhões de dólares em vendas já eram apontados como o objetivo para 2016. Ainda que se tenha verificado que o valor real ficou aquém do objetivo, José Neves dava mais importância à tendência de crescimento que se registava e que era para manter. Desta forma, a fasquia dos mil milhões de dólares em 2017 será para ultrapassar.

Assumidamente uma empresa global, a Farfetch tem onze escritórios espalhados por cidades, como Los Angeles, Nova Iorque, São Paulo, Londres, Guimarães, Porto, Lisboa, Moscovo, Xangai, Hong Kong e Tóquio. Nos novos escritórios de Lisboa, inaugurados em maio deste ano, cabem 300 trabalhadores, mas em Portugal são já 900.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Farfetch atingiu 718 milhões de dólares em vendas em 2016

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião