Exclusivo Farfetch: José Neves quer ter “plataforma líder na China”

O CEO da empresa de e-commerce assegura que parceria com os chineses da JD.com será "fundamental para a estratégia". José Neves revela ao ECO os projetos para a China.

Os planos de crescimento da Farfetch como plataforma líder no setor, no mundo inteiro, não param de evoluir. Por isso, José Neves diz que, ainda que o IPO seja um plano “a considerar no futuro”, neste momento o foco é no crescimento. “Estamos numa fase de intenso investimento, o nosso foco é no crescimento do negócio para sermos líderes globais na experiência de compra de moda em e-commerce“, disse, em declarações ao ECO.

Os chineses da JD.com investiram 356 milhões de euros na empresa fundada por José Neves, um negócio revelado esta quinta-feira, tornando-se os maiores acionistas da plataforma de luxo.

Como temos vindo a referir, o IPO é algo que podemos considerar no futuro, mas neste momento, estamos numa fase de intenso investimento, o nosso foco é no crescimento do negócio.

José Neves

CEO da Farfetch

“A China é um mercado crítico e estratégico para a Farfetch uma vez que, no segmento de bens de luxo, o consumidor chinês é já o que despende valores mais elevados”, assegurou José Neves. Por isso, a parceria com a JD.com “é fundamental para a nossa estratégia de nos tornarmos a plataforma líder na China”.

Avenida direta para o luxo chinês

Já em meados de abril a Farfetch anunciou o conceito da “loja do futuro”, um novo tipo de espaço equipado com dispositivos que recolhem informações sobre as preferências dos clientes, e apresentou uma modalidade de compra inserida na plataforma que permite aos clientes encomendarem artigos da Gucci e tê-los nas suas mãos em… 90 minutos. O serviço de entregas funciona, numa primeira fase, apenas em algumas cidades — Londres, Madrid, Paris, Milão, Nova Iorque, Dubai, Los Angeles, Miami, São Paulo e Tóquio — e está disponível através do site e da aplicação móvel da Farfetch.

A gigante chinesa de comércio eletrónico investiu o equivalente a 397 milhões de dólares mas é a empresa-unicórnio de José Neves que continuará a operar a sua loja online na China, em vez de vender os artigos através da JD.com. A ideia é que, através da parceria, as duas empresas possam dar resposta concertada ao aumento da procura de artigos de luxo no país, um mercado avaliado em 80 mil milhões de dólares.

A parceria vai permitir alinhar áreas como a logística, compras online, tecnologia e social media, que constituem uma das características fundamentais na liderança da Farfetch no mercado de luxo global. Com o investimento dos chineses na unicórnio do português, as plataformas vão ainda comercializar as cerca de 700 marcas e boutiques que já fazem parte da plataforma da Farfetch. Na China, a Farfetch tem já parcerias com 200 marcas de luxo e mais de 500 retalhistas multimarca, de acordo com informação avançada pela empresa.

Negócio na China, tech em Portugal

A aposta no mercado chinês é sustentada também pelo crescimento da empresa noutros mercados e, sobretudo, com o investimento no desenvolvimento tecnológico levado a cabo pela empresa desde o início. Em maio, a Farfetch inaugurou o novo escritório em Lisboa, onde trabalha grande parte dos serviços de desenvolvimento tecnológico e também de atenção ao cliente. O ECO visitou a nova sede da empresa na capital portuguesa, um investimento de um milhão de euros, e conta-lhe tudo.

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António Costa

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