BCP sem medo das novas regras do malparado do BCE. Impacto “é marginal”, diz Nuno Amado

  • Rita Atalaia
  • 16 Novembro 2017

Mario Draghi quer impor novas regras para o malparado. Mas, se forem apenas aplicadas a novo crédito, o presidente do BCP considera que o impacto será "marginal" no banco.

O Banco Central Europeu (BCE) quer impor novas regras para o malparado a partir do próximo ano. Regras que obrigam a que os empréstimos em incumprimento estejam totalmente provisionados. No entender do presidente do BCP, isto apenas se aplica ao novo crédito. E, neste caso, Nuno Amado diz que terá um impacto “marginal” no banco que lidera.

Se [as novas regras do BCE para o malparado] são mesmo para novo crédito, então terão um impacto muito marginal no nosso caso, porque o crédito que temos gerado tem uma taxa muita baixa de incumprimento”, afirmou o presidente do BCP na conferência com analistas. Isto depois de a instituição financeira ter registado lucros de 133,3 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano.

No mesmo período do ano passado, o banco foi fortemente penalizado pelas provisões associadas ao malparado. Este ano, o banco liderado por Nuno Amado está a reduzir de forma expressiva a exposição a estes créditos. Na apresentação dos resultados, Nuno Amado destacou a redução aos NPE [exposição ao malparado], que caiu em 1,4 mil milhões de euros, “já abaixo do objetivo de 7,5 mil milhões anunciado para o final de 2017”.

As novas orientações do banco central, que devem entrar vigor a partir de janeiro do próximo ano, dizem que os empréstimos em incumprimento sem garantias devem estar totalmente provisionados em dois anos e o malparado com garantia [ou seja, que estão associados a, por exemplo, imóveis] no máximo em sete anos, isto após serem classificados como problemáticos. Mas não foram bem recebidas pelos eurodeputados.

O Parlamento Europeu acusou o banco liderado por Mario Draghi de ter ultrapassado as suas competências na definição das novas regras para o crédito malparado. A responsável do banco central, Danièle Nouy, recusou estas críticas, dizendo que a proposta está “dentro do mandato do BCE”. Mas admitiu que a entidade venha a adiar a implementação das novas regras, que deveriam entrar em vigor em janeiro de 2018.

Para os deputados europeus, a proposta do BCE que forçaria as instituições financeiras a aumentarem as provisões seria de “caráter legalmente vinculativo” e obrigaria os bancos a apresentarem requisitos de capital mais elevados do que aqueles definidos pela lei da União Europeia. Isto, dizem, ultrapassa o mandato do BCE.

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