“Portela+1 é a única solução, mas, mesmo assim, está atrasada”

O diretor da easyJet em Portugal sublinha a urgência do aeroporto do Montijo, uma vez que a Portela está sobrelotada. O país tem cada vez maior peso para a companhia que admite novas rotas no futuro.

Portugal é, cada vez mais, um destino de muitos turistas. Há um boom que está a puxar pela economia, mas para que continue a florescer é preciso condições para trazer mais estrangeiros para o país. O Aeroporto Humberto Delgado está sobrelotado, pelo que é urgente a conclusão do aeroporto do Montijo, diz José Lopes, o diretor da easyJet em Portugal. A companhia low cost alerta que mesmo a solução Portela+1 já está atrasada, podendo comprometer o crescimento da empresa no mercado nacional, mas principalmente do turismo em Portugal.

“O Aeroporto da Portela neste momento está extremamente congestionado e a solução ‘Portela + 1’ é a única que me parece que nos poderá responder em tempo útil e, mesmo assim, já atrasada“, afirma José Lopes, diretor da easyJet em Portugal, ao ECO. A ANA já entregou ao Governo a proposta para a construção de uma nova infraestrutura no Montijo, mas o projeto ainda vai demorar a ver a luz do dia.

Projeto do aeroporto do MontijoD.R.

Numa altura em que se atinge um número recorde de passageiros, a companhia britânica alerta para a urgência em arranjar uma solução para a falta de espaço no aeroporto da Portela. “Apoiamos a execução ‘Portela+1’ porque vai permitir não só o Montijo aparecer, mas também que a Portela cresça mais e substancialmente. É nisto que temos estado a trabalhar, com a ANA, com o Governo e com a NAV”, explica José Lopes.

O Aeroporto da Portela neste momento está extremamente congestionado e a solução Portela + 1 é a única que me parece que poderá responder em tempo útil e, mesmo assim, já está atrasada.

José Lopes

Diretor da easyJet em Portugal

A capacidade declarada do aeroporto Humberto Delgado é de 40 movimentos por hora. Atualmente, a ANA opera neste aeroporto, em média, 38 movimentos por hora, o que representa uma ocupação de 90% das slots. O objetivo é aumentar para 42 a 44 movimentos.

Ainda que seja certo que o projeto do Montijo vai avançar, a easyJet garante que a solução está bastante atrasada. Prevê-se que esteja concluído em 2022, no entanto, a companhia mostra-se preocupada “não com o pós-2022, mas sim como pode continuar a crescer até lá”, durante estes quatro anos.

A easyJet é a terceira companhia aérea com mais movimentos em Lisboa (7%) e também a terceira com o maior número de passageiros (9%), de acordo com os dados mais recentes da Autoridade Aeronáutica Portuguesa (ANAC) relativos ao primeiro trimestre deste ano.

6,3 milhões de passageiros voaram pelas nuvens portuguesas

Compreende-se que a easyJet sublinhe a urgência da conclusão do aeroporto do Montijo, uma vez que o número de passageiros continua a crescer de forma exponencial. A companhia britânica fechou este ano fiscal com um recorde do número de passageiros transportados: entre 30 de setembro de 2016 e 30 de setembro de 2017, transportou 80,2 milhões de pessoas, uma evolução de 9,7% face ao ano fiscal anterior.

Mas o crescimento mais expressivo aconteceu em Portugal: foram transportados 6,3 milhões de passageiros, mais 15% do que no período homólogo anterior. E José Lopes acredita que o país poderá crescer muito mais. “Acreditamos que Portugal tem potencial para continuar a crescer, sem dúvida“, afirma, uma vez que as rotas nacionais representam 7,9% dos voos efetuados pela companhia.

Apesar do forte crescimento em território nacional, o diretor da easyJet revela que o maior crescimento se deu no Aeroporto do Funchal, na Madeira: “Ultrapassámos o meio milhão de passageiros e crescemos 23%“. E para acompanhar esse desempenho, a companhia britânica decidiu apostar ainda mais na ilha de Cristiano Ronaldo e criou uma nova rota que liga o Funchal a Genebra, na Suíça.

José Lopes explica que a criação desta rota prende-se com a “identificação de fluxos que existiam, que nos permitem maximizar a atratividade da Madeira para com os turistas suíços, mas também o papel em servir as nossas comunidades que vivem no estrangeiro“. Na altura, a companhia disse em comunicado que “os voos inaugurais para e do Funchal tiveram lotação esgotada” e que a Madeira representa “um aeroporto chave em Portugal”.

No futuro, e olhando para os resultados do presente, não foram confirmadas novas rotas entre Portugal e o mundo, mas José Lopes deixou escapar que, ainda este ano: “é possível que tenhamos algumas rotas novas a ser abertas”.

Petróleo continua a subir. Concorrência cai

O número de passageiros que voaram com destino a Portugal aumentou 20% no primeiro semestre deste ano, disse António Costa durante a cerimónia de inauguração da obra de ampliação do terminal do aeroporto de Faro. Este número mostra um aumento progressivo do turismo nacional, que pode ser comprovado por inúmeros factos.

A companhia low-cost acredita contribuir de forma bastante significativa para o setor turístico em Portugal.A easyJet tem desempenhado um papel vital no crescimento do turismo em Portugal“, diz José Lopes. Com isto, aumenta também o interesse de outras companhias aéreas, mas a britânica não se mostra preocupada com o aumento da concorrência.

A easyJet tem desempenhado um papel vital no crescimento do turismo em Portugal.

José Lopes

Diretor da easyJet em Portugal

Para além de vários episódios que a easyJet acredita terem contribuído de forma positiva para a empresa, como foi o caso do cancelamento de voos da Ryanair, a falência da Monarch e da Air Berlin, a companhia sublinha outros fatores que influenciam a posição destas companhias aéreas no mercado. E diz que o agravamento dos preços do petróleo até pode ser bom para a easyJet.

Com estas alterações a nível do mercado dos custos, os outros players irão começar a sofrer, uma vez que são mais fracos economicamente, e nós iremos sair, sem dúvida, consolidados“, afirma o responsável, mostrando-se confortável com a subida das cotações da matéria-prima que levam, inevitavelmente, a um aumento dos custos com o combustível. José Lopes explica que todos os efeitos negativos sentidos na concorrência acabam por “beneficiar aqueles que têm produtos mais estáveis e que continuam a crescer”, assegurando que o perfil low cost da empresa vai manter-se, sem alteração das tarifas.

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