“Valeu a pena reformar” em Portugal, diz Santos Pereira

O ex-ministro da Economia defende que uma das lições que Portugal aprendeu é que vale a pena fazer reformas estruturais. O atual economista da OCDE aconselha o país a pensar nas próximas reformas.

Álvaro Santos Pereira, diretor do departamento de Economia da OCDE e ex-ministro da Economia de Portugal.OECD/Marco Illuminati

O atual diretor do departamento de Economia da OCDE defende que o caso português mostra que “valeu a pena reformar”. Uma lição que se deve aplicar ao presente e ao futuro, preparando novas reformas estruturais. É esse o conselho de Álvaro Santos Pereira para a economia portuguesa, que a OCDE projeta que cresça mais do que a zona euro nos próximos dois anos. O aumento do consumo privado não é uma preocupação, mas o investimento e as exportações devem ser a prioridade do país.

“A economia portuguesa, antes das reformas que foram feitas no início desta década, desde a entrada no euro, estava a crescer a uma média abaixo de 1%”, explicou Santos Pereira, numa conferência de imprensa sobre o Economic Outlook lançado esta terça-feira, referindo que “depois das reformas, a economia portuguesa está a crescer a cerca de 2,5%, portanto, a primeira lição é que valeu a pena reformar e é importante continuar a reformar“. Além das reformas, o economista da OCDE atribuiu também o desempenho positivo da economia nacional ao aumento da confiança dos consumidores e empresários.

Uma das evoluções mais “impressionantes”, na ótica do ex-ministro da Economia, é a do mercado de trabalho: “Há muito poucas economias no mundo que tenham registado esta diminuição do desemprego”, garantiu, referindo-se à diferença entre a taxa de desemprego superior a 17% registada no pico da crise e os números mais recentes inferiores a 9%. Álvaro Santos Pereira atribui essa melhoria à reforma laboral que implementou quando esteve no Governo, entre 2011 e 2013, assinalando que esta “continuará a dar frutos” no país.

“A economia portuguesa, graças às reformas, está muito mais preparada para aproveitar a onda de crescimento que está a acontecer na Europa”, defende, em contraste com o que acontecia no início do milénio. Isso leva Álvaro Santos Pereira a crer que Portugal, durante os próximos anos, continuará a crescer acima da zona euro, ao contrário do que prevê a Comissão Europeia. A OCDE prevê que a economia portuguesa cresça 2,3% em 2018 e 2019. Já para o conjunto dos países a moeda única as subidas ficam-se pelos 2,1% em 2018 e 1,9% em 2019.

Álvaro Santos Pereira considerou que é de saudar quando o consumo privado cresce porque isso significa que há mais rendimento disponível. No entanto, alertou que isso não pode significar novamente uma subida da dívida pública ou privada. Além disso, o foco deve ser outro: “Obviamente os motores sustentáveis do crescimento económico são o investimento, mas também as exportações“, afirmou Santos Pereira, assinalando ser necessário que esses sejam “os motores que dinamizem o crescimento” nos próximos anos.

No entanto, Santos Pereira aconselha Portugal a pensar no futuro. “É importante começar a pensar nas próximas reformas estruturais para estimular o crescimento económico a longo prazo”, defendeu, assinalando que todos os países deviam ter as reformas no “estado de espírito”.

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