Isabel dos Santos quer vender 25% do Banco de Fomento Angola e parte do BIC também

Isabel dos Santos pretende vender 25% do capital do Banco de Fomento Angola, uma operação que poderá ocorrer no primeiro trimestre de 2019. Mas também quer abrir aos investidores o capital do BIC.

Isabel dos Santos está à procura de novos investidores para o Banco de Fomento Angola e para o Banco BIC. No caso do Banco de Fomento, o segundo maior banco Angola, a filha do ex-Presidente angolano pretende vender 25% do capital da instituição, uma operação que poderá ocorrer no primeiro trimestre de 2019, revelou a acionista num a conferência em Sharm El-Sheikh, avança a Bloomberg.

A mulher mais rica de África — cuja fortuna está avaliada em 2,12 mil milhões de euros — avançou ainda que a Oferta Pública Inicial (IPO) poderá ocorrer em Londres ou em Lisboa. O road show junto dos investidores deverá ocorrer no primeiro trimestre de 2018. “Já expusemos a nossa intenção ao banco central de Angola e a sua visão foi positiva”, disse Isabel dos Santos numa entrevista na estância balnear egípcia.

O Banco de Fomento Angola é controlado pela Unitel (51,9%), a maior empresa de telecomunicações em Angola, sendo que a filha do ex-Chefe de Estado detém 25% da Unitel, e o restante é detido pelo BPI, agora detido pelo espanhol CaixaBank. No capítulo das telecomunicações, Isabel dos Santos garantiu que a posição que detém na Nos é para manter.

A posição na NOS é para manter e conservar. Gosto de pensar que o nosso investimento na Nos nos vai permitir gerar mais crescimento e analisar a possibilidade da Nos crescer noutras áreas, tanto dentro como fora de Portugal.

Isabel dos Santos

Ainda no que se refere ao setor bancário, a empresária pretende vender uma parte do capital do BIC — do qual detém 43% — através de uma colocação privada. “Creio que é chegado o momento de abrir o capital destes bancos a novos acionistas”, defendeu Isabel dos Santos, acrescentando que, no caso do BIC — que opera e, Portugal, Angola, Cabo Verde e Namíbia — seria preferível um acionista que já estivesse presente no setor bancário. “Estamos a contratar uma série de assessores financeiros para nos aconselharem sobre o caminho a seguir”, disse.

Esta opção de avançar para a venda em bolsa de parte do capital destes dois bancos insere-se num plano de fortalecimento da suas operações tanto em Angola como no estrangeiro. No caso concreto do BIC os fundos angariados através da venda das ações serão usados para financiar a expansão do banco e, por isso, a empresária está a olhar para oportunidades em África e na Ásia. “Estamos a olhar para fusões e aquisições. Temos um plano bastante agressivo de aquisições”, disse, precisando que o Banco BIC, liderado em Portugal pelo antigo ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, está a analisar uma oportunidade na África do Sul.

Estamos a olhar para fusões e aquisições. Temos um plano bastante agressivo de aquisições.

Isabel dos Santos

Na mesma entrevista, Isabel dos Santos falou ainda do seu afastamento da Sonangol em novembro por parte do novo Presidente José Lourenço, considerando que foi “normal” tendo em conta a mudança de liderança em Angola. José Lourenço tem como objetivo acabar com os monopólios e lidar com a corrupção e pobreza num país em que o antigos membros da família e os seus aliados controlam grandes setores da economia.

“Creio que houve uma mudança de visão no que se refere ao rumo que a empresa deve seguir”, disse Isabel dos Santos, sem querer fazer mais comentários mais sobre a decisão do afastamento. “Não sou política, o meu foco é nos negócios, em criar negócios”, acrescentou.

A empresária acrescentou ainda que a sua equipa de gestão alcançou resultados muito bons no mandato de 17 meses. Isabel dos Santos garantiu ainda que o seu afastamento não vai afetar os seus investimentos na Galp Energia, onde detém uma posição indireta através de uma holding Esperanza, que tem como investidores a Sonangol e a Amorim Energia, que tem como chairwoman Paula Amorim após a morte de Américo Amorim, que detém 33,34% da Galp Energia.

(Artigo atualizado)

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Isabel dos Santos quer vender 25% do Banco de Fomento Angola e parte do BIC também

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião