Quer minar bitcoin? É mais fácil ganhar o Euromilhões

Minar bitcoin com o computador lá de casa não é rentável, mas já foi. Outrora, um utilizador poderia ser capaz de gerar centenas de bitcoins com pouco esforço. Mas... o que mudou? Quase tudo.

Por esta altura, já saberá que a bitcoin é a febre do momento. A moeda virtual valorizou mais de 1.600% durante o ano e também já chegou a Wall Street. Saberá também que a bitcoin é gerada por milhares de milhões de computadores ligados durante todo o dia, que validam as transações e, ao mesmo tempo, geram novas moedas em benefício dos proprietários. Mas será que vale a pena pôr o computador lá de casa a minar bitcoin?

Vamos diretos ao assunto: não compensa. Não é rentável. Mas já foi. Nos primeiros tempos da bitcoin, um utilizador comum podia gerar centenas de moedas novas em apenas poucos dias. Isto era possível porque a bitcoin era relativamente desconhecida, tinha um valor bastante reduzido e existiam poucos mineiros a processar as transações. Com o tempo, isso mudou. E mudou muito.

O mundo da bitcoin está diferente

A bitcoin assenta numa tecnologia chamada blockchain. As transações são agrupadas em blocks e, para serem validadas e inscritas na rede, os computadores dos mineiros têm de resolver complexas equações matemáticas. O primeiro a conseguir processar e validar um block resolvendo essas equações, inscreve-o na rede e recebe o biscoito ? pelo trabalho realizado à comunidade.

Atualmente, esse biscoito vale 12,5 moedas de bitcoin, valor que irá gradualmente ser reduzido até zero. Esse será o momento em que estarão em circulação todas as 21 milhões de moedas de bitcoin que representam o limite de oferta definido pelo criador do sistema, o misterioso Satoshi Nakamoto, que ninguém sabe quem é. Mas, para este artigo, isso é irrelevante. O que interessa é perceber que, à medida que mais mineiros se ligam à rede, mais complexas ficam essas equações. E mais poder de computação é preciso para minar bitcoin com sucesso.

Para ser uma atividade rentável, os mineiros detêm autênticos armazéns repletos destes computadores, uma forma de aumentar a probabilidade de serem eles a processar um block. Estes armazéns chamam-se farms. As farms representam um maior poder de computação, o que significa mais energia gasta. E mais energia gasta significa mais despesa. É por isso que já existem computadores próprios para minar bitcoin.

O certo é que, muito provavelmente, mesmo que construa uma farm de raiz, nem assim deverá ser capaz de gerar bitcoin de forma rentável. Lembre-se: há cada vez mais mineiros a colaborar com este sistema.

Não os pode vencer? Junte-se a eles

Vamos por partes. É impossível saber quantos computadores estão ligados à rede por detrás da bitcoin. Mas há uma unidade de medida que pode ajudar a perceber a dimensão: o hash rate. Recorda-se das equações de que falámos mais acima? O hash rate é a velocidade a que estas equações estão a ser resolvidas pelos mineiros. Mede-se, por exemplo, em terahash por segundo (TH/s).

À hora que este artigo é escrito, a bitcoin estava a ser processada a uma velocidade de 12.337.090,77 TH/s. É um valor alto, mas que tem vindo a aumentar quase à mesma velocidade a que valoriza a moeda, como mostra este gráfico do Blockchain.info, um site que acompanha as estatísticas da moeda virtual.

Fonte: Blockchain.info

A evidência é clara: os mineiros são cada vez mais e têm cada vez mais poder de computação. E alguns países estão em vantagem. Os baixos preços da energia na China fazem com que seja um dos territórios mais apetecíveis para se gerar moedas virtuais, embora as autoridades chinesas tenham vindo a apertar as regras. Estima-se mesmo que seja o país onde existam mais mineiros de bitcoin em todo o mundo.

É por este motivo que existem cada vez mais mineiros a associarem-se entre si, como forma de aumentar ainda mais a rentabilidade. Estes grupos chamam-se mining pools e partilham as receitas da atividade. Ou seja, enquanto os mineiros por conta própria não têm de partilhar as receitas, também têm menos probabilidade de receberem a recompensa. Contudo, há prós e contras em juntar-se a uma mining pool. Uma das vantagens é que poderá, em teoria, contar com uma fonte de receita mais ou menos constante.

Em março de 2014, o jornal especializado CoinDesk já escrevia que, “no caso da bitcoin, é praticamente impossível aos mineiros a solo conseguirem ter uma mineração rentável”. A não ser que “tenham uma garagem cheia de computadores ASIC [sistemas próprios para estas tarefas] em condições semelhantes às do Pólo Norte” (os computadores funcionam melhor a baixas temperaturas).

Fonte: Blockchain.info
Fonte: Blockchain.info

Estima-se que a AntPool, sediada na China, seja a maior associação de mineiros, com um controlo de 20,5% da rede. Atrás estará a BTC.com, com 13,1% da rede, seguida da BTC.TOP, com 10,2%, segundo o Blockchain.info. Posto nesta perspetiva, ainda tem vontade de minar bitcoin com o seu próprio computador?

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António Costa

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