Conselho de Energia UE coloca meta de interligações em lei, Portugal saúda passo inédito

  • Lusa
  • 19 Dezembro 2017

O Conselho de ministros da Energia da União Europeia vai estabelecer uma meta de 15% de interligações entre os Estados-membros. Governo português saudou em Bruxelas este “passo significativo".

O Conselho de ministros da Energia da União Europeia acordou estabelecer uma meta de 15% de interligações entre os Estados-membros num documento legislativo, tendo esta terça-feira o Governo português saudado em Bruxelas este “passo significativo, como nunca tinha sido dado”.

Pela primeira vez vai haver um documento legislativo que estabelece objetivos de interligações entre os países. A interligação entre a Península Ibérica e França é quase oito vezes menos do que aquela que está estabelecida agora [15%] para 2030 e, portanto, estamos muito satisfeitos. Deu-se um passo muito significativo, como nunca tinha sido dado até agora”, declarou à Lusa o secretário de Estado da Energia, que participou na “maratona” negocial concluída ao início da madrugada.

Sublinhando que a questão das interligações sempre foi para o Governo “a questão estratégica”, pois a grande dificuldade para a Península Ibérica no mercado europeu de Energia “tem sido a não existência de interligações com o resto da Europa”, Jorge Seguro Sanches reforçou que aquilo que se obteve agora no Conselho – e que terá ainda de ser aprovado pelo Parlamento Europeu – constitui “um progresso como nunca houve até agora”.

“Até agora tinha havido sempre declarações políticas, declarações de intenções, e pela primeira vez estamos a trabalhar num texto legislativo que foi aprovado em Conselho”, o que significa que o objetivo dos 15% “ficará em regulamento, ou seja, será de aplicação direta no espaço da UE”. Atualmente, a capacidade total instalada de interligações entre a Península Ibérica e o resto da Europa é de 2,6%.

O governante sublinhou que Portugal tem duplamente a ganhar com a verdadeira abertura do mercado energético europeu, tirando partido do desenvolvimento das energias renováveis, área onde, considerou, o país “é um excelente exemplo”. “Nós temos aqui uma grande possibilidade de podermos ser beneficiados por duas razões: primeiro, porque temos uma grande possibilidade de exportar energia renovável para o resto da Europa; mas também tem uma vantagem que é que nós, desta forma, também vamos conseguir que os preços em Portugal sejam mais competitivos, porque significa que vamos ter mais mercados a conseguir também injetar eletricidade no nosso país, e com certeza que com isto vão ganhar os consumidores”, disse.

O secretário de Estado representou Portugal num Conselho de Energia entre segunda-feira e hoje no qual os 28 negociaram quatro dossiês legislativos pertencentes ao chamado “Pacote Energias limpas”.

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