Cortes nos CTT. E medidas para aumentar receitas?

  • Rita Atalaia
  • 20 Dezembro 2017

Os CTT apresentaram um plano de reestruturação para poupar até 45 milhões de euros em três anos. Mas, dizem os analistas, o mercado quer uma maior aposta nas receitas e não apenas no corte de custos.

Os CTT 2,01% apresentaram o plano de reestruturação, com a empresa de serviços postais a prever poupar até 45 milhões de euros a partir de 2020 através do corte de custos, incluindo o despedimento de funcionários e a redução dos salários. Uma decisão que levou as ações a subirem mais de 10%. Mas, dizem os analistas, o mercado quer mais. A empresa liderada por Francisco Lacerda tem de apostar em medidas para aumentar as receitas e não apenas em cortes.

“Iremos analisar o novo plano estratégico com mais pormenor embora nos pareça, numa análise preliminar, que o mercado iria apreciar mais medidas de incremento de receitas do que iniciativas que privilegiem o corte de custos, com o objetivo de procurar incorporar o mesmo na nossa avaliação da empresa”, referem os analistas do CaixaBI numa nota enviada aos clientes, acrescentando que se trata de “um amplo plano de iniciativas de corte de custos combinadas com a venda de ativos não estratégicos”.

"Iremos analisar o novo plano estratégico com mais pormenor embora nos pareça numa análise preliminar que o mercado iria apreciar mais medidas de incremento de receitas do que iniciativas que privilegiem o corte de custos, com o objetivo de procurar incorporar o mesmo na nossa avaliação da empresa.”

CaixaBI

Na prática, para além de reduzirem o dividendo a distribuir pelos acionistas e de cortarem até 25% os salários dos membros da administração, os CTT planeiam também despedir mil trabalhadores, fechar lojas e concessionar a gestão de postos de correio. Uma iniciativa cujos custos são desconhecidos. A estimativa é de que seja possível, em 2020, alcançar poupanças de 45 milhões de euros.

“Não conhecendo o custo do plano de reestruturação previsto pelos CTT é difícil avaliar o verdadeiro impacto destas medidas“, notam os analistas do BPI, que, apesar de admitirem estar conscientes do risco inerente à implementação deste plano, subiram a recomendação para comprar face a underperform.

Ações dos CTT recuperam com plano de reestruturação

Esta melhoria da avaliação tem por base o “desempenho das ações” que recuaram 31% desde última atualização, oferecendo agora um potencial de valorização de 45%“. O BPI avalia os títulos em 4,70 euros, sendo que as ações da empresa liderada por Francisco Lacerda seguem a cotar nos 3,62 euros. Estão a ganhar 3,46%, mas chegaram a subir um máximo de 10,93%. Recuam 44% em 2017.

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