Resoluções de ano novo: Um mês sem Facebook? Ele tentou e conta como foi

Entre 11 de novembro e 11 de dezembro, Mário Tarouca esteve sem acesso às redes sociais: o problema não foi falta de rede mas uma decisão pessoal. Agora conta tudo, ao ECO.

Mário Tarouca viajou para o sudeste asiático depois do detox das redes sociais.D.R.

Antes da ideia, o problema: “Sou… ou era um viciado em redes sociais”, conta Mário Tarouca, ao ECO. Para controlar as vezes que ia ao telemóvel por causa das notificações — e o tempo que essa disponibilidade representava no total do seu dia, o fundador da startup Breadfast decidiu arrancar com um “detox de redes sociais”. Marcou o dia — 11 de novembro –, a duração — um mês — e começou, com tempo, a desinstalar as aplicações do telemóvel.

Facebook, Instagram e LinkedIn foram os alvos da decisão: Mário sentia-se ‘dependente’ das notificações e ficava ansioso de cada vez que o ecrã do telemóvel brilhava, obrigando-o a ver o que se passava o quanto antes. “Na verdade, o vício tem a ver com a lógica da notificação, de estar sempre à espera de novidades, de receber qualquer coisa“, percebeu depois. E isso, essa necessidade de estar sempre a par do que acontece, gerava-lhe ansiedade “Tens sempre a sensação de ver se recebeste, se está a vibrar. Quando acordas, de manhã, a é a primeira coisa que fazes”, recorda.

Na verdade, o vício tem a ver com a lógica da notificação, de estar sempre à espera de novidades, de receber qualquer coisa.

Mário Tarouca

Empreendedor

E, ainda antes de arrancar o mês sem redes sociais, Mário Tarouca explicou tudo através de um manifesto publicado online onde detalhava, além dos objetivos, as razões do detox.

O desafio começou numa sexta-feira e Mário aproveitou o primeiro fim de semana para passear: no Porto com a namorada, o pequeno-almoço de sábado foi passado num café. Sentaram-se, pediram algo para comer e Mariana pegou no telemóvel. Mário, instintivamente, pensou fazer o mesmo. Recuou. Não queria desistir logo.

Como começar

“Há seis meses, vi mais um daqueles vídeos de Facebook, sobre o impacto das redes sociais na juventude. E eu, que sou um tipo de ideias ‘tipo vai’, desinstalei o Facebook do telemóvel no dia seguinte. Fiquei uns três ou quatro meses sem Facebook no telemóvel mas como passo muito tempo no computador, só diminuí a dependência das notificações”, recorda Mário. Só que, o vício não é apenas para as redes sociais: Mário tem também o de não conseguir ter emails ‘não lidos’ na caixa de correio e, a partir do momento em que “sai” do Facebook do telemóvel, sente que começa a “migrar para o Instagram”. “E a procurar a mesma coisa: onde estão as notificações? Comecei a perceber que estava a voltar ao mesmo e que tinha de fazer alguma coisa”.

"Há seis meses, vi mais um daqueles vídeos de Facebook, sobre o impacto das redes sociais na juventude. E eu, que sou um tipo de ideias ‘tipo vai’, desinstalei o Facebook do telemóvel no dia seguinte.”

Mário Tarouca

É nessa altura que Mário começa a procurar referências e outras pessoas que, como ele, tenham feito experiências semelhantes. E descobre que não é o único: há muita gente que sentiu como ele a necessidade de dosear o acesso às redes sociais e que, tal como o empreendedor, decidiu sistematizar a experiência.

Descobriu muitas coisas durante as pesquisas e, uma das mais interessantes, foi um estudo de há quatro anos de uma universidade que relaciona diretamente o tempo passado no Facebook com o grau de felicidade. “Quanto mais tempo passas, mais infeliz és”, explica. “Por um lado estudos, por outros relatos pessoais de várias pessoas a dizerem que estão depressivos, com ansiedade, e que se sentem mais em baixo. Avanço para isso, faço”.

O manifesto e o site surgem desse desejo de poder, além de viver, partilhar a experiência. “Há muita gente que pode identificar-se com isso e surge no sentido de alertar, passar a ideia. Para que, se as pessoas considerarem interessante como desafio possam fazer também pelo tempo que seja”, detalha.

Sobreviver às primeiras horas

O desafio começou a 11 de novembro. “As primeiras horas, os primeiros dias, pensei que ia andar louco. Desinstalei todas as apps, para tentar minimizar ao máximo as tentativas de entrar. Os primeiros dias foram tranquilos. No primeiro pequeno-almoço, dois minutos depois estava de jornal na mão e foi um sabor… há muito tempo que não lia em papel, foi brutal. A partir daí tenho criado hábitos de leitura”, conta ao ECO.

O mais difícil, conta, foi “conseguir escapar às armadilhas que há na net”. Como? “Na altura comecei com o processo de recrutamento para a Breadfast, tinha entrevistas, mandavam-me mensagens no Facebook que eu nem sequer vi. Dá sempre jeito ir procurar referências ao LinkedIn, e não podia. Fui às cegas, sem saber quem eram as pessoas, a não ser pelo que me escreveram no email”.

Sobre a experiência, diz: “Sem isso há um acordar muito mais tranquilo e a quebra da ansiedade, por não precisares de estar sempre a ver. Perdi muita coisa mas, sem lá ir, não perdi nada. Recomendo a toda a gente. E, outra coisa: muito mais bateria no telemóvel”.

No dia do regresso, depois de uma temporada de viagem na Tailândia, Mário voltou ao Facebook com a fotografia que o ECO publica como imagem deste artigo. Com ela um desafio: “Estive um mês fora, pouca gente sabe o que eu andei a fazer, se quiserem saber mandem mensagem ou liguem e vamos tomar um café”, escreveu. Foi isso que fizemos.

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