Bolsa de Lisboa tem o melhor arranque de ano de sempre

BCP disparou quase 10% na primeira semana de 2018. Pharol e Sonae também estiveram em evidência em Lisboa, que entrou no novo ano a todo o gás.

É preciso recuar a… não é preciso. 2018 começou mesmo com o melhor arranque na história da bolsa de Lisboa. O PSI-20 disparou mais de 4% na primeira semana do novo ano, sobretudo com BCP e Sonae em grande estilo, a aproveitar a onda do ciclo económico positivo em Portugal. Há boas razões para os investidores abrirem as garrafas de champanhe ao fim de uma semana de negociação no novo ano.

A semana na bolsa foi mais curta que o normal pois não houve negociação na segunda-feira. Mas isso não impediu que, entre terça-feira e esta sexta-feira, o PSI-20 tivesse feito um sprint assinalável — ainda que tenha relaxado um pouco na última sessão da semana. Acumulou um ganho semanal de 4,22%. Foi a semana de abertura de um novo ano mais positiva de sempre por cá e foram precisas duas décadas para a bolsa portuguesa pulverizar o recorde de 4,17% com que iniciou o ano de 1998.

Os analistas dizem que não se deve isolar o excecional desempenho da praça lisboeta do bom momento nos mercados acionistas internacionais. Na verdade, o milanês FTSE-Mib também valorizou cerca de 4% durante a semana e, em Frankfurt e Paris, os ganhos foram superiores a 3%. Do outro lado do Atlântico, os nevões em Nova Iorque não arrefeceram os ânimos dos investidores e Wall Street voltou a atingir um novo recorde.

Melhores arranques na bolsa nacional

Fonte: Bloomberg

“Olhamos lá para fora e vemos a mesma exuberância. Vemos Wall Street com o Dow Jones a experienciar máximos históricos. Na Europa, também temos um sentimento muito positivo. Nada se alterou face ao fim do ano. 2017 acabou com a economia muito forte e que vai ter um efeito positivo nos lucros das empresas. Por outro lado, nos EUA, tivemos o plano fiscal de Trump”, contextualiza Albino Oliveira, analista da Patris Investimentos.

“A verdade é que os investidores não encontram muitas alternativas no mercado neste momento e as ações são o investimento mais atrativo. Vamos ter de esperar pela temporada de resultados que começa dentro de um mês para termos uma melhor noção do que se está a passar”, frisou ainda o analista.

"Olhamos lá para fora e vemos a mesma exuberância. Vemos WallStreet com o Dow Jones a experienciar máximos históricos. Na Europa, também temos um sentimento muito positivo. Nada se alterou face ao fim do ano. 2017 acabou com a economia muito forte e que vai ter um efeito positivo nos lucros das empresas. Por outro lado, nos EUA, tivemos o plano fiscal de Trump.”

Albino Oliveira

Patris Investimentos

BCP e Sonae na crista do ciclo económico

Não é só o contexto internacional mais positivo que dá maior otimismo cá dentro. Há fatores específicos de cada empresa. Por exemplo, no BCP e Sonae, que estão entre as cotadas com ganhos mais expressivos nesta semana em Lisboa, o bom desempenho surge associado ao ciclo económico favorável. O BCP ganhou quase 10%, aproveitando a boleia dos juros mais baixos da dívida soberana.

Steven Santos, do BiG, escreveu na sua conta de Twitter que “com a banca europeia a viver um período de acalmia e os investidores a procurarem temas cíclicos, o BCP beneficia por ser o único banco cotado [presente no PSI-20] em Portugal”.

Albino Oliveira acolhe com surpresa a performance excecional do BCP. Acompanha a análise de Steven Santos, mas diz que a descida das taxas de juro da dívida portuguesa não é motivo suficiente para sustentar a avaliação de 0,2977 euros que os investidores dão atualmente ao banco liderado por Nuno Amado.

“O BCP continua a evoluir positivamente à boleia dos juros, mas a descida das taxas não é suficiente. Não é crível que a dívida venha a ter nos próximos três meses descidas tão acentuadas. Ou seja, embora seja positiva para a carteira de títulos dos bancos, melhorando os resultados do banco, este efeito não será continuado, não é sustentado a prazo”, diz o analista da Patris. “É preciso que o banco consiga mostrar em termos de resultados melhorias de forma sustentada”, salienta ainda.

Fonte:

Olhando para o top 5 de maiores valorizações em Lisboa, além do BCP e Sonae, encontramos a Pharol, os CTT e a Navigator. “Há motivos que justificam as valorizações”, atira Albino. Quais são? Em relação à Pharol, a cotada liderada por Palha de Silva encontrar-se em correção altista depois de um mês de dezembro instável com os acontecimentos na brasileira Oi, nomeadamente o plano de recuperação judicial que iria diluir e muito a posição da empresa portuguesa na operadora.

Para os CTT, a história também de recuperação depois de ter apresentado o plano de reestruturação em meados de dezembro e que visa colocar o negócio da empresa de correios numa rota sustentável. Esta semana, o ECO avançou em primeira mão as primeiras 22 lojas que os CTT pretendem encerrar. Na Navigator, a possibilidade de um dividendo extra abriu o apetite dos investidores, depois de a papeleira ter vendido o negócio de pellets nos EUA no último dia útil de 2017.

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