Santa Casa abre a porta a entrada faseada no Montepio. E quer desconto

  • Margarida Peixoto
  • 10 Janeiro 2018

O provedor da Santa Casa, Edmundo Martinho, lembrou que era sempre uma possibilidade em aberto. Decisão vai ser tomada até ao final do mês.

Edmundo Martinho, provedor da Santa Casa, explicou esta quarta-feira o racional de um potencial investimento no banco Montepio.Paula Nunes / ECO 10 janeiro, 2018

Está tudo em aberto. Esta foi a mensagem fundamental que o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa quis passar aos deputados da comissão parlamentar de Trabalho, esta quarta-feira, sobre a possibilidade de a instituição entrar no capital do Montepio. Edmundo Martinho sublinhou que a decisão não está tomada, que o valor em causa não está fechado e abriu até uma possibilidade que não tinha ainda sido publicamente discutida: o investimento pode ser faseado e não tem de ser todo feito da mesma forma.

“Não está definido que a operação tenha de ser feita toda de uma vez e de uma forma”, disse o provedor, aos deputados, para mostrar que nada está decidido em concreto.

Não está dito em lado nenhum que essa entrada não possa ser faseada.

Edmundo Martinho

Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

Já depois de terminada a audição, explicou aos jornalistas que “numa operação financeira deste tipo, quando se diz que há um limite de 10% do capital, não quer dizer que sejam 10% — pode ser 9%, pode ser 8%, 7,5% — mas não será seguramente mais.” E frisou que “não está dito em lado nenhum que essa entrada não possa ser faseada,” ressalvando depois que não estava a dizer que aquela é a possibilidade em cima da mesa.

Durante a audição, Edmundo Martinho sublinhou que a Santa Casa espera ter uma decisão tomada sobre se avança para a operação até ao final deste mês de janeiro. O estudo financeiro em que a decisão deverá ser sustentada deverá assim estar pronto muito em breve.

“A Santa Casa nunca comprará a um euro por ação”

Um dos pontos que o estudo está a avaliar é o valor que atribui ao próprio Montepio. Edmundo Martinho explicou que o banco não está no mercado e que, por isso, não há um referencial imediato para encontrar o valor de cada ação. “Uma coisa é o book value das ações. Outra coisa é o valor que esta entidade financeira entende que cada ação neste momento vale, porque não há referenciais de mercado”, disse o provedor.

“O último valor que temos é o valor a que a associação mutualista comprou, que foi um euro. A Santa Casa nunca comprará a um euro, haverá sempre aquilo a que se chama o desconto. A dimensão desse desconto é que variará em função da avaliação e das negociações com a Associação Mutualista,” garantiu.

Confrontado com a possibilidade de essa avaliação poder resultar numa desvalorização do banco face ao que está neste momento assumido, contabilisticamente, pela Associação Mutualista, Edmundo Martinho recusa a ideia: “Não, não”, respondeu.

A Santa Casa colocou como limite ao investimento 10% do capital do Montepio, mas está preparada para aplicar um valor superior a 10% do seu próprio ativo. Em 2016 houve um parecer, emitido a propósito da possibilidade de entrar no capital do Novo Banco, que aconselhava a que a Santa Casa não aplicasse mais do que 10% dos seus ativos no sistema financeiro, mas o provedor desvalorizou: “O parecer é um parecer, há outras coisas a considerar.”

Aos deputados, o provedor explicou as três condições para a Santa Casa entrar no capital do banco:

  1. Haver uma avaliação financeira independente;
  2. Entrada em simultâneo de outras entidades do setor social;
  3. Negociar o valor das ações do banco, com base no estudo financeiro.

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