Negócio da Santa Casa no Montepio chega ao El País: “Dinheiro dos pobres salva banco português”

  • ECO
  • 5 Janeiro 2018

Um artigo de opinião publicado no jornal espanhol afirma que o "dinheiro dos pobres" vai ser utilizado para "salvar" um banco português. Em causa está a entrada da Santa Casa no capital do Montepio.

É um Robin dos Bosques ao contrário. É com esta comparação que começa uma opinião publicada no El País esta sexta-feira. O artigo critica o negócio por utilizar “dinheiro dos pobres” para recapitalizar um banco. Em causa está a possibilidade de a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) entrar com 200 milhões de euros no capital do Montepio, o banco da Associação Mutualista, ficando com uma participação de 10%.

Se o Robin dos Bosques levantasse a cabeça ficaria atónito de como os tempos estão a mudar“, escreve Javier Martín Del Barrio, jornalista do El País, que classifica o investimento de “estranho” e “especulativo”. O jornalista refere que o Montepio é o último banco português com problemas. “Em Portugal vai usar-se dinheiro da caridade para salvar um banco”, assinala.

Javier Martín diz ainda que a solução é “imaginativa”: “À crise bancária que o Governo socialista tem enfrentado desde que tomou o poder têm sido aplicadas receitas cada vez mais rebuscadas“, acrescenta. O jornalista refere a venda “urgente” do Banif ao Santander, a injeção de milhares de milhões na CGD sem contar para o défice (até se saber a decisão do Eurostat) e a venda do Novo Banco por zero euros.

E agora o caso do Montepio, “a ovelha negra”, classifica o jornalista, que vai ser ajudado por uma instituição que nasceu para ajudar os mais necessitados.

Foi a 30 de junho do ano passado que ambas as entidades assinaram um protocolo para o desenvolvimento de um banco social. “O memorando agora assinado contempla a possibilidade de uma participação da SCML na CEMG”, lia-se no comunicado enviado nesse dia.

Esta sexta-feira o ECO avançou que o administrador financeiro da Associação Mutualista Montepio, Miguel Coelho, votou contra a decisão de aumentar o capital da Caixa Económica em 250 milhões de euros.

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