Católica estima défice de 1,5% e crescimento de 2,7% em 2017

  • Lusa
  • 17 Janeiro 2018

A Universidade Católica estima que o défice orçamental de 2017 deverá ser de 1,5% do PIB, acima da estimativa do Governo, e que a economia tenha crescido 2,7%, o valor mais elevado desde 2000.

A Universidade Católica estima que o défice orçamental de 2017 deverá ser de 1,5% do PIB, acima da estimativa do Governo, e que a economia tenha crescido 2,7% no conjunto do ano passado.

Na Síntese da Folha Trimestral de Conjuntura divulgada hoje, o Núcleo de Estudos de Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) da Universidade Católica calcula que “o défice público de 2017 deverá ter sido de aproximadamente 1,5% do PIB”, embora admita que o Governo está “convicto de que esse défice será inferior a 1,3% do PIB”.

Recorde-se que, com a apresentação do OE2018, em outubro, o Governo reviu em baixa a estimativa do défice para 2017, de 1,5% para 1,4% do PIB, mas já veio admitir que ficará abaixo desse valor, com o primeiro-ministro, António Costa, a esperar que ronde os 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Os economistas da Católica preveem que a economia portuguesa tenha crescido 2,7% no conjunto do ano passado, “o melhor registo desde o ano 2000”, quando o crescimento do PIB atingiu 3,8%, ficando também acima da estimativa do Governo de 2,2% inscrita no OE2018.

Os agregados que mais contribuíram para este crescimento anual foram, segundo o NECEP, o investimento (com um contributo de 1,5 pontos percentuais), especialmente na componente de máquinas e equipamentos, e as exportações (com um contributo de 3,2 pontos percentuais), com foco nos fornecimentos industriais e material de transporte, bem como na componente dos serviços, que inclui o turismo.

No que diz respeito apenas ao quarto trimestre de 2017, o NECEP estima que a economia tenha crescido 0,7% face ao trimestre anterior e 2,4% em termos homólogos. Entre julho e setembro, o PIB avançou 0,5% em cadeia e 2,5% em termos homólogos.

Para 2018, o NECEP estima que o crescimento económico abrande ligeiramente, ao crescer 2,4%, esperando que as “variáveis mais dinâmicas” sejam novamente as exportações e o investimento, “embora este último se mantenha cerca de 23% abaixo do nível registado em 2010”. Além disso, consideram, a recente melhoria do rating de Portugal por parte de duas agências de notação financeira “poderá contribuir não apenas para a redução sustentada das taxas de juro da dívida pública, mas também suportar uma recuperação mais rápida do investimento”.

“Esta projeção reflete a continuação da recuperação económica, embora sem o efeito base favorável que beneficiou o ano de 2017. A política orçamental tem um pequeno contributo positivo como resultado do cálculo de um agravamento do défice estrutural na sequência da aprovação do OE2018”, lê-se na Síntese da Folha Trimestral de Conjuntura do NECEP divulgada hoje.

Desta forma, consideram, “a economia portuguesa continua a sua recuperação cíclica iniciada no primeiro trimestre de 2013″, contando com um ambiente externo que “continua favorável” (com o PIB da zona euro a crescer 2,4% em 2017 e 2,3% este ano), o que “permitirá manter a balança corrente e de capital com saldo positivo, contribuindo para a redução do endividamento externo”.

O NECEP estima que a economia abrande mais um pouco em 2020, crescendo 2,2%, e apresenta uma primeira estimativa para 2020, que é de 2%, admitindo uma “enorme incerteza em torno deste valor”.

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