SnapCity: Uma das cinco melhores app de turismo do mundo é portuguesa

Esta startup nacional põe-no em contacto com residentes de determinada cidade, para receber as melhores dicas e sugestões sobre os locais a visitar.

Provavelmente já deu por si em modo turista, num determinado país, a procurar na Internet os melhores locais para visitar, um bar para beber um copo ou até um sítio para comer. Esta startup portuguesa veio tornar esse processo bastante mais fácil e dinâmico, através de uma plataforma de chat que o põe em contacto com os residentes locais.

A SnapCity chegou recentemente ao mercado mas já conta com mais de 12 mil membros. Entre eles estão alemães, britânicos, espanhóis e, claro, portugueses. A ideia passa por “ligar instantaneamente, e em tempo real, quem está a viajar, ou quem precisa de informações e conselhos sobre uma localicação, às pessoas que vivem nessa cidade e que a conhecem melhor do que ninguém”, explica André Dias, o fundador da app, ao ECO. A ideia surgiu numa viagem com uns amigos pela Ásia e resultou da necessidade de ter alguém para dar as melhores dicas sobre a cidade, sem ter de recorrer a pesquisas online.

O click deu-se no regresso a Portugal. Após falar com vários amigos, André pensou: “Porque não criar uma aplicação que permitisse um chat imediato, e em tempo real, entre quem está a viajar e quem vive nas cidades?”. E foi exatamente isso que fez, juntamente com um antigo colega do Instituto Superior Técnico. A ideia inicial era criar uma revista digital direcionada para hosts do Airbnb, para que estes pudessem comunicar melhor com os hóspedes que recebiam. “Mas, por uma questão de custos, vimos que o projeto não seria rentável, que seria muito difícil. Também já estávamos um bocado ‘fisgados’ a fazer algo na área do turismo e que lidasse diretamente com as pessoas que estão a visitar as cidades”, conta.

Com pouca experiência na área — André especializado em marketing digital e Manuel Figueiredo, o sócio, na área de gestão de projetos –, foram à procura da equipa perfeita para desenvolver a aplicação. “Tinham de ser developers bastante jovens, bons e com uma mentalidade um ‘bocado fora da caixa’ para se envolverem numa coisa destas”, explica. Equipa feita, cinco elementos, mas os três meses estimados para a conclusão da app foram substituídos por nove. “É um conselho que eu dou a quem estiver a começar, multiplicar por dois ou por três o tempo estimado. É uma grande batalha conseguir ter a aplicação pronta e funcional“, conta André.

Está pronta! Mas como funciona?

A ideia é bastante simples: supondo que está em Londres e quer descobrir os melhores sítios para visitar. Entra na SnapCity e são-lhe sugeridas um conjunto de perguntas habituais, como “Onde comer um brunch?” ou “Onde estão os melhores jardins e parques?”. No entanto, André explica que “a parte gira é fazer uma pergunta livre“. Posto isto, seleciona a pergunta que mais lhe interessar e, de imediato, vão surgir-lhe londrinos disponíveis para lhe dar recomendações. Nessa altura terá de escolher um desses “locals” e será iniciado um chat, onde poderá trocar as melhores dicas e sugestões.

“Em Barcelona provamos o nosso próprio veneno, como turistas. Perguntamos onde havia um bar de jazz com música ao vivo, é uma coisa improvável de encontrar no habitual Google. Houve um local que disse que nos podia ajudar, entramos em chat e recomendou-nos uma série de bares. A parte gira é que a pergunta acaba por ser um motivo para entrar em conversação e, a partir daí, podem falar do que quiserem, durante o tempo que quiserem“, diz o marketeer.

Para ser um local é necessário fazer o registo na plataforma. Inicialmente, a equipa trata de selecionar algumas pessoas mais especializadas no assunto, como guias turísticos ou com especialização na área, de modo a garantir que há uma maior confiança na partilha de dicas. A partir daí, a “vaga” é aberta a qualquer pessoa. Há três motivações para ser um local da SnapCity, explica André. A primeira está relacionada com a “paixão e o gosto pela cidade” e outra com os prémios e experiências na cidade que pode ganhar conforme as avaliações que receber. A startup tem parcerias com várias marcas portuguesas, de forma a premiar os melhores locals. Há jantares oferecidos pela Zomato, passeios de Tejo e pequenos lanches pelo Hotel Tivoli. “São ofertas simbólicas mas que podem motivar os locals a estarem na aplicação“.

A terceira motivação são as tips: gratificações monetárias oferecidas no final de cada conversa. Mas calma, não são obrigatórias. “No final do chat, se ficarem realmente satisfeitos, os turistas podem oferecer uma gratificação entre 0 e 10 euros“. São raros os casos em que isso acontece, mas já houve cerca de 50 tips oferecidas. Ainda assim, os sócios acreditam que essa cultura da gratificação seja mais comum em países como o Reino Unido ou os Estados Unidos. No entanto, tudo pode ser uma questão de hábito. “Não vamos enganar os locals e deixá-los pensar que podem tirar um ordenado com tips, não podem. Mas podem ter, às vezes, um pocket money interessante“.

Projeto de turismo mais inovador do país

O ano passado, a equipa da SnapCity candidatou-se aos World SummitAwards (WSA), um concurso de startups a nível mundial. Apesar de ser um dos muitos concursos que existem atualmente para startups, este foi escolhido “por ser uma escala um bocadinho diferente, era a nível mundial, com mais de 400 empresas de 180 países e tinha um júri à prova de bala, com peritos internacionais. Para além disso, tinha a chancela das Nações Unidas“, conta André.

A SnapCity foi a vencedora a nível nacional, na categoria Travel&Culture, conseguindo um lugar nos cinco primeiros a nível mundial, na mesma categoria. O próximo passo é uma viagem a Viena para receber o prémio, onde planeiam expor o projeto a potenciais investidores. Neste momento, André conta que a startup está numa fase decisiva de negociação, preparada para uma segunda ronda de investimentos, que poderá facilmente chegar aos 500 mil euros. “Chegou a altura de dar o salto. Um objetivo para o ano de 2018 é começar a escalar a todo o gás. O nosso plano passa por ser rapidamente o serviço e o player mais relevante nesta área”.

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