Das fintech aos animais, as startups que vão brilhar em 2018

Inteligência artificial, mobilidade, blockchain, alimentação e... animais. O ECO foi falar com especialistas e tentar perceber as estrelas de 2018 na constelação-startup.

Se tivesse uma bola de cristal que pudesse prever o futuro seria mais simples e fácil decidir mudar de carreira, criar o seu negócio, começar de novo? Foi a pensar nessas possibilidades — mais do que probabilidades — e nas ideias que, um pouco por todo o país, têm sido pensadas e transformadas em negócio, que tentámos perceber quais seriam as startups a não perder de vista em 2018. Falámos com empreendedores, investidores e outros atores fundamentais do ecossistema e divulgamos as conclusões.

As razões são variadas: setor de atividade, equipa, ambição, investidores e, até, a ideia em si.

Liliana Castro, fundadora da FES Agency e da rede Portuguese Women in Tech, sugere algumas das startups que tem acompanhado nos últimos tempos: Bitcliq que, como explica, é “blockchain for the win” e a Heaboo — e, mais especificamente, a sua tecnologia Hoterway, uma espécie de chuveiro que poupa água e energia. “São dois nomes não muito conhecidos mas que acho que continuarão a dar muito que falar”, assegura.

De entre os destaques do ano, Liliana sinaliza a LOQR “que lançou agora um piloto com o banco BIG e que será a startup nacional de referência na área de fintech, nos próximos meses”. A opinião é partilhada por João Vasconcelos, ex-secretário de Estado da Indústria, que conta ao ECO outras apostas para o ano: Indie Campers e Findster.

Já Miguel Fontes, da Startup Lisboa, escolhe a Defined Crowd como a aposta do ano. “Porquê? Por várias razões. Para além de trabalhar numa área que está a mexer e a dar cartas — Inteligência Artificial e Machine Learning — tem crescido ao longo da sua existência e fechou o ano em alta. Além de ser uma startup com um portefólio de investidores muito forte. Por isso, não é preciso uma bola de cristal para saber que têm todas as condições para fechar nova ronda de investimento num valor interessante”. Além disso, explica Miguel, os bons resultados atraem bons resultados: “Com uma equipa de excelência, a empresa vai continuar a dar que falar porque vai apresentar novidades ao mercado. É competitiva e, por isso, é a nossa aposta: vai explodir em 2018”, assinala.

Não é preciso uma bola de cristal para saber que têm todas as condições para fechar nova ronda de investimento num valor interessante.

Miguel Fontes

Startup Lisboa

A aposta é também partilhada por Helena Taveira, diretora de marketing da Portugal Ventures, gestora do maior fundo de capital de risco em Portugal. “É uma entre várias startups que consideramos promissoras e que vai valer manter debaixo de olho durante este ano”, justifica. Mas, da lista de Helena fazem parte outros nomes. As já conhecidas Aptoide, Zaask e Doinn ou a BSIM Square, que opera no mercado das doenças neurodegenerativas, são alguns dos nomes apontados.

Várias apostas, muitos negócios

Com experiência de vários anos Miguel Santo Amaro, fundador da Uniplaces — a plataforma de aluguer de alojamento para estudantes –, conta ao ECO quais as suas principais apostas nesta “seleção de esperanças”: a Barkyn, fundada por André Jordão, tem um “excelente branding” e trabalha “num setor em crescimento”, mais especificamente um marketplace no mercado de comida e acessórios para cães.

Outra aposta do fundador da Uniplaces é a Switch Payments, por duas questões fundamentais: “bons clientes e uma excelente solução técnica”. E o que faz esta startup? Uma forma de fazer pagamentos com um método que tem sinergias com todas as outras formas de pagamento. Entre os produtos que merecem destaque, Miguel sinaliza a Koala Rest, a startup portuguesa que produz e vende colchões à medida de cada clientes. E do sono de cada um. “Vão crescer rápido”, adianta.

Mas há mais: “O melhor modelo para alimentação online, com boas margens”, chama-se EatTasty e reúne chefs domésticos a clientes que só querem ter a vida facilitada… e a mesa farta. Para Miguel, ainda há outra: o maior ICO em Portugal tem um nome, chama-se UTrust, uma plataforma para pagamentos que diz ser “do futuro”.

 

Vá para o mundo, cá dentro

Para Rui Santos Couto, da incubadora portuense Founders Founders, “2018 vai ser muito, muito, interessante”. Nas cartas lançadas sobre as previsões para 2018, Rui vê muitas startups a fazerem história. Para o empreendedor, Infraspeak, ShiftForward, Huub e Unbabel “vão continuar a sua trajetória de crescimento”. Mas as verdadeiras rising stars de 2018 serão outras: OKO (inteligência artificial para redações), TonicApp (uma aplicação móvel que permite aos médicos discutirem casos clínicos de forma segura), Stratio Automotive (manutenção de veículos recorrendo a algoritmos) e Barkyn, esta última falada também por Miguel Santo Amaro.

Também José Franco, gestor da CorpCom e habituado a acompanhar e a comunicar startups, faz as suas apostas. Uma das áreas tendência já faladas acima encontra novo nome: na inteligência artificial para o retalho, José Franco destaca a Sensei, uma startup tecnológica até agora desconhecida e que monitoriza padrões de consumo e quais as reações dos clientes perante o que veem nas prateleiras dos supermercados. “Pouco se falou nela”, garante. Outra, agora na área do turismo, é a Tripwix, uma espécie de ‘Airbnb’ “de luxo, usada por muitos milionários de Silicon Valley e que, no primeiro ano de atividade, já gera dois milhões de dólares em transações”.

Na área da saúde, outro destaque: a Zenklub, plataforma de consultas de psicologia online, “uma tendência em forte crescimento mundial, sobretudo de utilização nas empresas. Fundada pelo José Simões, que convenceu o Ronaldo a apostar na sua antiga start up [a Mobitto]. Já tem milhares de clientes no Brasil”, assinala.

Outra nota de José Franco vai para uma startup já conhecida: a Hole19. “Deixou-se de falar tanto dela mas, no ano passado, a empresa começou a monetizar o negócio, abrindo a plataforma de booking para milhares de campos em todo o mundo, bem como a plataforma de publicidade. Vale a pena olhar de novo para perceber os planos deste ano”, justifica.

Jorge Pimenta, gestor de projetos do Instituto Pedro Nunes, também arrisca, e aposta nas empresas da casa. O software para gestão de obra (subcontratação e clientes finais) da TUU com o projeto Buildtoo; o projeto de ID&T com SME instrument aprovado, com tecnologia inovadora para comunicação entre veículos autónomos (drones, etc.) da Twevo; a solução de eHealth para teleconsulta, que já participou na WebSummit e está já avançar com pilotos de sucesso da Full Circle; e o estúdio de desenvolvimento de videojogos, realidade virtual e software, nomeadamente o jogo Ganbatte, da Mimicry Games seriam os trunfos na manga do IPN.

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António Costa

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