Aptoide vai criar uma moeda digital. Quer investir? Eis o que precisa de saber

A Aptoide vai lançar uma nova moeda virtual na semana do Web Summit. Vai chamar-se AppCoins e tem um valor inicial de dez cêntimos de dólar. Eis o que precisa de saber e como investir.

A startup portuguesa Aptoide, que é uma das maiores lojas de aplicações do mundo para sistemas Android, vai aproveitar o palco do Web Summit para lançar uma nova moeda virtual. Para isso, levará a cabo uma oferta pública inicial de moeda (ICO, na sigla original) com o objetivo principal de angariar 28 milhões de dólares de capital para financiar o projeto, avança a empresa num comunicado.

A nova moeda já foi batizada: terá o nome de AppCoins e, para já, a ideia é que possa ser usada em transações no interior da loja Aptoide pelos seus 200 milhões de utilizadores. Fundada pelos portugueses Álvaro Pinto e Paulo Trezentos, a empresa tenciona alargar o protocolo a outras lojas de aplicações e sistemas operativos numa próxima fase.

Entre 6 e 9 de novembro, os dias em que decorre o Web Summit em Lisboa, os investidores interessados poderão adquirir até 12% do total de oferta da moeda (tokens) com um desconto de 30% caso sejam “membros da comunidade Android e outros grupos exclusivos”. “Através da pré-venda, a Aptoide prevê angariar 28 milhões de dólares até ao final da Web Summit”, acrescenta a startup. A moeda deverá ficar disponível quando terminar a operação de financiamento.

O funcionamento da nova moeda AppCoins assenta na tecnologia da blockchain, a mesma que possibilita a existência de outras divisas como a bitcoin ou o Ethereum. As ICO são operações de financiamento à qual recorrem cada vez mais empresas lá fora, mas ainda é um mecanismo relativamente novo em Portugal. A Rússia, por exemplo, tenciona regular esta nova realidade, enquanto a China estará mais inclinada para a proibir — como, aliás, já fez.

Entre abril e junho, “os financiamentos através de ICO atingiram um recorde de 800 milhões de dólares e ultrapassaram, recentemente, o financiamento de capital de risco”, aponta a Aptoide. Por isso, sublinha: “Mais do que uma criptomoeda, será um protocolo que poderá ser adotado por qualquer loja de aplicações, independentemente do sistema operativo. A visão é criar um novo ecossistema de partilha entre todas as lojas de aplicações, criando uma nova linguagem universal da economia de aplicações.”

Com este projeto, a Aptoide pretende criar um “ecossistema” com maiores margens financeiras para os programadores e uma nova forma de gerarem reputação, acelerando o processo de aprovação das suas aplicações nas diferentes lojas. O objetivo é também dar aos utilizadores um novo método de pagamento pelos aplicativos, bem como um incentivo a descobrirem novas aplicações. Para as lojas, o sistema criará um novo modelo de negócio de “confiança” e “sem intermediários”. O conceito é explicado com mais detalhe neste vídeo.

A Aptoide vai lançar uma nova moeda digital, a AppCoins.DR

Como investir em AppCoins?

Falando de números e valores: na prática, a Aptoide estará a vender, nesta primeira fase, um total de 280 milhões de moedas de AppCoins de uma oferta total de 700 milhões. Cada moeda AppCoin vale dez cêntimos de dólar, mas os investidores têm de comprá-las com Ethereum, uma moeda virtual bem estabelecida no mercado e que vale cerca de 290 dólares. A ICO é, no fundo, a pré-venda e venda inicial destes tokens aos investidores que acreditam no sucesso do projeto. A operação permite dar valor à divisa, distribuí-la e criar alguma liquidez inicial nas transações.

E quem pode investir? Programadores de aplicações, utilizadores da Aptoide, parceiros da empresa e participantes do Web Summit — basicamente, qualquer pessoa interessada. Os 28 milhões de euros são o teto máximo da capitalização desta nova moeda (o melhor cenário para a Aptoide), sendo que o mínimo está estabelecido nos 2,5 milhões de dólares, de acordo com os documentos da operação disponibilizados pela empresa. Cada investidor define o valor que pretende injetar na operação, sendo que deve ter sempre em conta que se trata de um investimento com algum risco associado.

O capital angariado em Ethereum será usado da seguinte forma: 58% para desenvolvimento do protocolo, 23% em estratégia e operações, 15% em comunicação e marketing e 4% em questões legais. Toda a documentação está disponível neste site, assim como o registo para participar na ICO.

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António Costa

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