Certificados do Tesouro ganham perto de quatro mil milhões em 2017

O investimento em Certificados do Tesouro cresceu 33% no ano passado, evoluindo em sentido contrário ao registado nas aplicações em Certificados de Aforro.

Os Certificados do Tesouro continuam a ser o instrumento estrela do Estado de captação de financiamento junto das famílias. No ano passado, este produto de poupança do Estado engordou em quase quatro mil milhões de euros, segundo o boletim estatístico do Banco de Portugal divulgado nesta segunda-feira. O montante investido neste produto ultrapassou pela primeira vez a fasquia dos 15 mil milhões de euros.

Evolução do investimento em Certificados no último ano

Fonte: Banco de Portugal

No total do ano passado, o saldo total dos Certificados do Tesouro cresceu em 3.752 milhões de euros, para ascender a 15.033 milhões de euros. Ou seja, 33,3% acima do montante que estava investido no final do ano anterior: 11.281 milhões de euros.

Apesar desse crescimento, os últimos meses do ano foram marcados por uma acentuada desaceleração do ritmo de captação de recursos deste produto de poupança. Em dezembro, e à semelhança de novembro, este produto apenas engordou em 78 milhões de euros, o que compara com aumentos mensais que foram sempre superiores a 250 milhões de euros nos meses anteriores. Os portugueses revelaram assim na fase final do ano alguma perda de interesse por este produto de poupança que viu a sua remuneração sofrer um corte considerável com o lançamento dos novos Certificados do tesouro Poupança Crescimento (CTPC) no final de outubro.

Os Certificados do Tesouro continuam, contudo, a ser o principal foco de interesse dos portugueses no que respeita aos produtos de poupança do Estado. É que, no que respeita aos Certificados de Aforro, a tendência tem sido de perda de investimento. No ano passado, este produto perdeu quase mil milhões de euros no ano passado (981 milhões de euros), protagonizando consecutivas perdas mensais de aplicações. Tudo isto num contexto de fraca atratividade da remuneração oferecida, mesmo comparando com os Certificados do Tesouro. A taxa de juro bruta oferecida nas novas subscrições de Certificados de Aforro da serie E é de apenas 0,671%. Já no que respeita aos CTPC, a remuneração média é de 1,35%, taxa que pode ser alcançada ao fim dos sete anos de aplicação.

Em balanço, este rumo diferenciado dos Certificados do Tesouro e de Aforro acabou por ditar uma desaceleração no ritmo de captação de financiamento do Estado junto dos aforradores. O saldo de captação de recursos aponta para um crescimento de 2,8 mil milhões de euros, aquém dos 3,5 mil milhões que se tinham verificado no ano anterior.

(notícia atualizada às 11h50 com mais informação)

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