Santander Totta, já com o Popular, aumenta lucros para 436 milhões

O banco liderado por Vieira Monteiro encerrou 2017 com lucros de 436 milhões de euros. É um aumento de mais de 10% face ao ano anterior.

O Santander Totta fechou o último ano com lucros de 436,3 milhões de euros. É um crescimento de mais de 10% no ano em que adquiriu o Popular, operação que lhe permite afirmar que é o maior banco privado em Portugal. A instituição liderada por Vieira Monteiro atribuiu a evolução positiva das contas ao crescimento orgânico, mas também à redução dos custos e das provisões.

“A evolução positiva do resultado líquido reflete a descida dos custos operacionais e das dotações de provisões para crédito, que compensam a diminuição de 4,1% no produto bancário”, diz o banco. No que toca a custos, estes “registaram um decréscimo de 7,6% em comparação com o valor alcançado no final de dezembro de 2016”, salienta o comunicado.

Relativamente às provisões, estas caíram, traduzindo “a melhoria da situação económica e a estabilização, a níveis baixos, das entradas em incumprimento”. “O rácio de Non-Performing Exposure (NPE), calculado de acordo com a definição da EBA, situou-se em 5,7% em dezembro de 2017 e a cobertura de NPE por provisões fixou-se em 55,4%. Excluindo este impacto, o rácio ter-se-ia reduzido em cerca de 80 pontos base, face a dezembro de 2016″, nota.

Com o Popular, é o maior banco privado

Este crescimento dos resultados verificou-se num ano marcado pela conclusão “do processo de aquisição e de fusão simplificada por incorporação do Banco Popular Portugal no Banco Santander Totta”, refere o banco em comunicado. “Com esta aquisição, o Santander Totta torna-se no maior banco privado no que se refere ao crédito da atividade doméstica, ocupando a segunda posição no ranking dos depósitos“.

“Esta operação [integração do Popular] é muito importante para nós”, afirma o presidente do Totta, António Vieira Monteiro, na apresentação dos resultados para 2017, explicando que o “Popular cobre clientes que eram menos cobertos pelo Totta”.

No que respeita ao crédito, assistiu-se a um crescimento de “25%, ascendendo a 41,4 mil milhões de euros, com aumentos de 12,7% no crédito a particulares e de 45,3% no crédito a empresas. A carteira de crédito do ex-Banco Popular Portugal, no montante de 6,1 mil milhões de euros, contribuiu para o aumento do peso relativo do segmento de Empresas”, salienta o banco.

"Com esta aquisição [do Banco Popular Portugal], o Santander Totta torna-se no maior banco privado no que se refere ao crédito da atividade doméstica, ocupando a segunda posição no ranking dos depósitos”

Santander Totta

Perante esta evolução, “as quotas de mercado de produção de crédito a empresas e habitação mantiveram-se muito dinâmicas, em 2017, ascendendo a 17,1% e 21,1%, respetivamente, até ao final de novembro”, acrescenta.

Mais clientes, depósitos e… comissões

Por seu lado, os “recursos de clientes totalizaram 36,7 mil milhões de euros, equivalente a uma subida de 15,2% (aumentos de 13,7% em depósitos e de 25,4% em recursos fora de balanço). O banco explica que os “depósitos aumentaram 13,7%, também com a incorporação da carteira do ex-Banco Popular Portugal no valor de cerca de 4 mil milhões de euros”.

“As comissões aumentaram 8,3% em relação a dezembro de 2016, traduzindo a maior fidelização e transacionalidade dos clientes. Por seu turno, a margem financeira diminuiu 4,8%”, nota o Santander Totta. “A margem financeira alcançou 696,9 milhões de euros, em consequência, principalmente, de reajustamentos na carteira de dívida pública”, explica.

Segundo Vieira Monteiro, o Totta tinha uma carteira de 4,5 milhões de euros de dívida pública em 2016, que diminuiu, no ano passado, para 3,5 milhões. O presidente do banco explica que o objetivo é que o produto “seja feito com a atividade core do banco e não com operação isoladas, seja dívida pública ou outra. Esta deve ser a atividade recorrente, a base dos nossos resultados”.

Compra pressiona rácios

Apesar do contributo para o crescimento da carteira de crédito, o Popular veio penalizar os rácios de capital da instituição liderada por António Vieira Monteiro, destaca o banco.

“O rácio CET 1 (phased-in) ascendeu a 13,65%, e o rácio CET 1 (fully implemented) foi de 13,67%. As variações homólogas de (-2,2 pontos percentuais) e (-1,4 pontos percentuais), respetivamente, refletem o impacto da integração do ex-Banco Popular Portugal”, conclui.

(Notícia atualizada às 13h14 com declarações do presidente do Totta durante a apresentação)

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