Sindicato europeu diz que “é muito invulgar” Volkswagen impor horários

  • Marta Santos Silva
  • 2 Fevereiro 2018

A falta de acordo com a Comissão de Trabalhadores levou a Volkswagen a impor os horários que entraram em vigor esta semana, algo que espantou o sindicato IndustriAll.

O tipo de horário implementado na fábrica da Autoeuropa “não é anormal”, explicou, ao ECO, Georg Leutert do sindicato global IndustriAll, mas o facto de uma fábrica Volkswagen o ter imposto sem acordo com os trabalhadores “é muito invulgar”. Surpreendido ao saber que o horário até agosto na fábrica de Palmela resultou de uma imposição unilateral da administração por não ter conseguido acordo com a Comissão de Trabalhadores, Leutert disse que era uma situação muito fora do normal.

“Que a Volkswagen implemente isto em Portugal sem o consentimento da Comissão de Trabalhadores é muito invulgar”, afirmou Georg Leutert, questionado pelo ECO. “Não é a forma como a Volkswagen trabalha”.

Que a Volkswagen implemente isto em Portugal sem o consentimento da Comissão de Trabalhadores é muito invulgar.

Georg Leutert

Sindicato global do setor automóvel IndustriAll

No entanto, o tipo de horário implementado “não é anormal”. Embora não queira classificá-lo como o habitual, o sindicalista especializado nas fábricas de automóveis explicou ao ECO que, em especial na Europa central e de leste, os empregadores tentam utilizar a sua força de trabalho ao máximo, com modelos de trabalho semanal de 17 ou 21 turnos, sendo que o implementado em Palmela até agosto é de 17 turnos. “As empresas dizem que é a única forma de se manterem competitivas”, afirmou o especialista.

“Muitas vezes vemos este modelo de trabalho em alturas de alta procura de um determinado modelo ou componente”, explicou Georg Leutert. É o caso da Volkswagen em Palmela, onde a procura do modelo T-Roc esteve subjacente à decisão da empresa de implementar turnos noturnos e ao sábado a partir de fevereiro até agosto. De agosto em diante, os horários estão ainda a ser negociados, mas a empresa propõe um modelo de laboração contínua que incluiria trabalho aos domingos. A empresa pretende construir 240 mil automóveis em 2018. “O meu ponto de vista geral é que desde que haja um acordo coletivo justo e decente, então tudo bem, porque é melhor garantir o futuro da fábrica do que não fazer nada, não fazer qualquer concessão, e enfrentar um encerramento da fábrica”, acrescentou.

No entanto, assinalou o sindicalista, o trabalho por turnos incluindo noites e fins de semana pode ser favorável para os trabalhadores nalguns casos. “Em certos países há muita procura para os turnos de fins de semana, por permitir que os trabalhadores mais jovens frequentem a universidade durante a semana, por exemplo”, assinalou. “Não diria que seja exploração dos trabalhadores em todos os casos. Em muitos casos abre novas oportunidades para os trabalhadores”.

No caso de Portugal, Georg Leutert considera que o país tem uma situação particular: “Perdeu um pouco da indústria automóvel nos últimos 20 anos, e por isso consigo imaginar uma empresa como a Volkswagen a dizer: ‘Porque havemos de ficar quando todos já foram embora?’ É o que fazem as empresas, e aí as coisas começam a tornar-se injustas”.

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