CGD tem 38 toneladas de papel em cadernetas. São para acabar

O banco público está a focar-se em trazer para o digital cerca de 300 mil clientes com mais de 65 anos e que usam exclusivamente a caderneta como meio de movimentação da conta.

CGD quer uma “transição suave” das cadernetas em papel para as digitais.Paula Nunes / ECO

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) tem toneladas de papel para digitalizar. Mais concretamente, 38 toneladas de papel, sob a forma de cadernetas físicas, que pretende transformar em cadernetas digitais, num processo a iniciar ainda este ano. Em causa estão várias centenas de milhares de clientes, mas o banco público vai focar-se, numa primeira fase, numa parcela de 300 mil clientes: os mais idosos e que só usam a caderneta para movimentar a conta.

O anúncio da criação de uma caderneta digital foi feito esta quarta-feira, durante a conferência Banking Summit, que decorreu em Lisboa e que juntou os presidentes dos cinco maiores bancos portugueses para discutir o impacto da evolução tecnológica sobre a banca. Durante a sua intervenção, Paulo Macedo, presidente executivo da CGD, identificou a “inclusão digital” como um dos desafios que se impõe aos bancos, que têm de assegurar “que não se deixa para trás uma parte significativa dos clientes”. Segundo o presidente da CGD, um décimo dos clientes do banco público ainda tem caderneta. Assim, o banco está “a trabalhar numa caderneta digital, que tem as características de uma caderneta física, mas que reforça a segurança, entre outros aspetos”.

Mais tarde, à margem do evento, Paulo Macedo disse aos jornalistas que são cerca de 300 mil os clientes que ainda usam este documento e que o objetivo da CGD é fazer uma “transição suave” para a caderneta digital, num processo a ser lançado este ano. Fonte oficial da CGD esclarece ao ECO que os 300 mil dizem respeito apenas aos clientes com mais de 65 anos e que usam exclusivamente a caderneta como meio de movimentação da conta. “São estes o nosso foco principal, dado que temos de trabalhar com eles o futuro”, refere.

Questionada pelo ECO, a mesma fonte não quis esclarecer quais os custos que o banco público assume anualmente com a produção de cadernetas, qual o universo total de clientes que utilizam caderneta ou que funcionalidades terá a caderneta digital, remetendo mais detalhes para uma apresentação oficial sobre este novo instrumento, que deverá acontecer ainda este ano.

Certo é que o número de clientes com cadernetas é bastante superior a 300 mil: “Cadernetas há muitas, o que não quer dizer que os clientes a usem”, diz ainda a mesma fonte. Ou seja, há ainda que contar com os clientes com menos de 65 anos e que só usam a caderneta como instrumento para movimentar a conta, bem como com os clientes, de qualquer idade, que têm uma caderneta mas recorrem a um cartão de débito. Mas é na parcela dos 300 mil que a CGD quer focar-se: “São uma franja importante para nós pois têm mais de 65 anos e precisam de um cuidado especial da nossa parte”.

A ideia é também incentivar a utilização do cartão de débito, acabando, gradualmente, com a caderneta. Ao todo, segundo os dados que constam do último relatório e contas disponível da CGD, relativo a 2016, o banco consumiu, nesse ano, “38 toneladas de papel sob a forma de cadernetas”. E o número já tem vindo a reduzir-se: em 2015, era 42 toneladas. “Não podemos esperar que um idoso tenha de mudar para a caderneta digital e que tenha um smartphone”, reconhece fonte oficial da CGD. Quantos aos clientes mais novos mas que, ainda assim, só usam a caderneta, a preocupação é menor: “As pessoas com menos de 65 anos já passaram por muitas alterações tecnológicas na sua vida”.

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