Montepio regressa aos lucros. Ganha 30 milhões em 2017

Menos imparidades para crédito problemático e disparo nas comissões explicam regresso do banco aos lucros. Montepio fechou 2017 com resultado líquido de 30 milhões de euros.

A Caixa Económica Montepio Geral regressou aos lucros no ano passado. O banco liderado por José Félix Morgado registou um resultado líquido de 30,1 milhões de euros em 2017. Menos imparidades para crédito e aumento das receitas com comissões ajudam a explicar esta inversão nos resultados, depois dos prejuízos de 86 milhões em 2016.

Mais concretamente, o banco da Associação Mutualista Montepio Geral obteve um lucro de 30,1 milhões de euros, num ano de melhoria evidente na vertente comercial: isto é, aumentou as receitas. E muito.

Por exemplo, a margem financeira — que resulta da diferença entre os juros recebidos nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos — aumentou 4% para 263,9 milhões de euros, “suportada da redução dos custos dos depósitos a prazo e da dívida emitida”, explica o Montepio na demonstração de resultados publicada esta quinta-feira.

Adicionalmente, os ganhos com comissões dispararam 15% para os 117 milhões de euros, resultado do agravamento das taxas de comissionamento do banco no ano passado, como aquelas que estão previstas no crédito para compra de habitação.

Feitas as contas, o produto bancário aumentou 36% para 505,2 milhões de euros.

Por outro lado, a Caixa Económica Montepio também observou melhorias nos custos operacionais, que caíram 5,5% para 268,3 milhões de euros, “refletindo impactos do redimensionamento do quadro de colaboradores e das sinergias ao nível dos fornecimentos e dos serviços externos”. Os custos com pessoal baixaram 5,5% para 156,4 milhões.

Outras poupanças resultaram também do facto de o banco ter colocado menos dinheiro de lado para fazer face a imparidades de crédito e de outros ativos financeiros. As imparidades para crédito problemático reduziram-se em 25% para apenas 138 milhões, face aos 182,5 milhões registados há um ano nesta rubrica.

Depósitos aceleram e qualidade do crédito melhora

A Caixa Económica destaca ainda o “forte crescimento dos depósitos de clientes na segunda metade de 2017″, um desempenho que permitiu atingir depósitos de 12.561 milhões de euros, traduzindo um aumento de quase 1% face a 2016, “refletindo o reforço da dinâmica comercial imprimida até final do ano” passado.

Em sentido contrário, o crédito concedido a clientes baixou cerca de 1.000 milhões de euros, passando dos 15 mil milhões para os 14 mil milhões.

De resto, 2017 foi um ano de melhoria da qualidade dos empréstimos do banco, “sustentada na redução do custo do risco de crédito” em 25 pontos base, “beneficiando das alterações introduzidas na política de análise de risco para a concessão de crédito”.

Tal como já tinha anunciado, o banco fechou 2017 cumprindo os rácios de força financeira exigidos pelo Banco Central Europeu (BCE). O rácio de capital Common Equity Tier 1 subiu no ano passado para 13,5%.

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