Nuno Artur Silva “não criou condições” para ficar na RTP

  • ECO
  • 10 Fevereiro 2018

O presidente da RTP confia que Hugo Figueiredo "tem as características certas" para ocupar o lugar de Nuno Artur Silva no conselho de administração da televisão pública.

Nuno Artur Silva “não criou as condições objetivas para resolver de maneira absolutamente transparente o potencial conflito de interesses” entre a sua posição na RTP e o facto de ser administrador e proprietário da Produções Fictícias. É desta forma que Gonçalo Reis, presidente da RTP, comenta a saída de Nuno Artur Silva da estação de televisão pública. Em entrevista ao Expresso (acesso pago), diz que a escolha de Hugo Figueiredo permitirá manter uma estratégia “diferenciadora e de qualidade”.

Na entrevista publicada este sábado, Gonçalo Reis admite: “gosto muito de Nuno Artur Silva, o criativo, que pensa fora da caixa, que gosta de arriscar e de experimentar”. Contudo, ressalva, “além do criativo, existe o administrador da RTP”, que “não é uma empresa qualquer nem apenas um conjunto de canais”, mas uma empresa com “códigos, critérios e princípios” que têm de ser cumpridos.

A verdade é que havia um conflito de interesses que o Nuno Artur Silva não conseguiu resolver em tempo útil e, portanto, caminhando para um mandato novo, não tinha condições técnicas para se manter”, aponta Gonçalo Reis.

O presidente da RTP diz ainda que começou a “montar uma equipa de gestão competente” ainda antes do comunicado do Conselho Geral Independente da RTP sobre o conflito de interesses em causa. “Comecei a prepará-la nas últimas semanas, a partir do momento em que o meu querido Nuno Artur Silva não criou as condições objetivas para resolver de maneira absolutamente transparente o potencial conflito de interesses, devido à sua posição acionista na Produções Fictícias”.

Quanto a Hugo Figueiredo, que vai substituir Nuno Artur Silva, o presidente da RTP diz que é “um gestor com uma carreira vasta, sensibilidade para os media e transparência na área”. Gonçalo Reis considera que o novo administrador “tem as características certas: é uma pessoa da gestão com muita sensibilidade para temas de jornalismo, conteúdos, cinema e audiovisual”.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Nuno Artur Silva “não criou condições” para ficar na RTP

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião