Áreas sociais e classe média são as prioridades de Rui Rio

O presidente do PSD encerra o 37.º congresso do partido. Rio falou para a classe média com um discurso social. Aos partidos disse estar aberto a consensos na Segurança Social e na descentralização.

Rui Rio, presidente do PSD, discursa no 37.º congresso do partido.Paula Nunes/ECO 16 fevereiro, 2018

Governar para as pessoas não é apenas distribuir simpatias e conceder-lhes cada vez mais direitos“, afirmou Rui Rio no discurso de encerramento do 37.º congresso do PSD que o consagra como líder social-democrata. O novo presidente do PSD começou o seu discurso definindo como prioridade os “objetivos de caráter social”. Numa crítica indireta ao PS, Rio afirmou que é preciso “ter a grandeza de só distribuir o que sabemos que é verdadeiramente sustentável — caso contrário, estaremos a enganar as pessoas e a repetir os graves erros do passado”.

O novo líder do PSD quer dirigir-se à classe média, tocando em pontos como a fraca natalidade ou o envelhecimento da população. As reformas da Segurança Social serão prioridade para Rui Rio já que o “problema [da sustentabilidade] não conjuntural”, mas sim “estrutural”. “Temos de atuar enquanto é tempo, porque se deixarmos a questão para depois, depois será bem mais difícil de resolver”, alertou.

A crítica mais feroz estava guardada para a atuação do Governo no que toca à Saúde. Rio fala de “cativações cegas” e de “défice de investimento” — recebendo um dos maiores aplausos do seu discurso até ao momento — e pede ao Executivo medidas “que voltem a dar ao SNS a eficácia e a capacidade de resposta a que ele sempre nos habitou”. No seu discurso, sinalizou ainda que o serviço público deve coabitar com um serviço privado, “desde que competentemente regulado e fiscalizado”.

Rio lança-se agora ao tema da Educação, criticando as reversões do atual Governo: “Reverte-se, subverte-se e lança-se a instabilidade nas escolas só porque se teima que tudo tem de mudar sem diagnóstico rigoroso, sem avaliação do que foi feito e sem compromisso com as principais forças políticas e sociais”. “Regressámos ao experimentalismo pedagógico, sem controlo, nem avaliação“, rematou, prometendo que quer “fazer diferente”.

É com estas mudanças que Rio espera “aspirar a uma economia mais competitiva, capaz de pagar melhores salários e dar melhores condições de vida a todos os portugueses”. Rui Rio defende que o motor do crescimento económico não pode ser o consumo nem privado nem público: “Este foi o erro que nos conduzir à recente desgraça financeira“. O novo líder do PSD está focado nas exportações e no investimento, com realce na tecnologia. “O consumo privado deve der a consequência do crescimento”, assinalou.

Para Rui Rio “o atual Governo não tem condições para levar a cabo políticas públicas capazes de induzir o crescimento económico”, destacando que quem exporta e investe são as empresas que fazem decisões consoante as condições — e estas são “determinadas pelas políticas que os governos conduzem”. “O fraco crescimento económico de Portugal (…) é filho da conjuntura internacional favorável e não de qualquer semente lançada pelo PS“, argumentou, falando de uma “excessiva dependência do setor do turismo”.

“Impõe-se, por isso, não matar a galinha dos ovos de ouros, mas construir um modelo económico capaz de sustentar um crescimento menos vulnerável às flutuações cíclicas da economia”, defende o novo líder social-democrata, referindo, ainda assim, que Portugal “não pode ir atrás de utopias”.

Rui Rio atira-se depois à descentralização, criticando de forma bruta a Administração Central “despesista” e “descontrolada”. “Será que o Tribunal Constitucional ou a Provedoria de Justiça não poderiam estar localizados, por exemplo, em Coimbra?”, sugeriu. Para o novo líder social-democrata “os países mais atrasados são aqueles que tudo concentram e tudo centralizam“. “O Estado central faz mal aquilo que outros podiam fazer melhor”, argumentou, elencando exemplos como a Defesa nacional, a Segurança ou a Justiça.

“O Estado não é forte quando se mete em tudo e — por tudo e por nada — impõe regras e burocracia aos cidadãos. O Estado é forte quanto liberta, o mais possível, o cidadão do seu jugo e quando, o mais possível, o defende e protege“, afirmou Rui Rio, pedindo “entendimentos alargados” para “estrangulamentos” que não podem ser “passíveis de serem resolvidos sem a colaboração de todos” e prometendo o empenho do PSD nestas matérias. “Estamos totalmente disponíveis para servir Portugal”, garantiu.

A terminar o seu discurso, Rio disse que a atual governação tem “contradições estruturalmente insuperáveis”. “É, para isso, que, a partir de amanhã, iremos começar a trabalhar numa alternativa social-democrata, que volte a trazer, aos portugueses, esperança e confiança”, afirmou, despedindo-se com uma mensagem universal: “Afinal, no fim e no princípio de tudo, é a procura de felicidade que, sem exceção, a todos nos move”.

O momento em que Rui Rio entrou no congresso:

(Notícia atualizada)

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