Novas regras evitam venda enganosa? “Prognósticos só depois”

  • Ana Batalha Oliveira
  • 22 Fevereiro 2018

Para Gabriela Figueiredo Dias, a presidente da CMVM, as novas normas vêm contribuir sobretudo para "fazer o tracing e demonstrar com maior clareza onde houve irregularidades".

Entre as várias novidades que a mais recente diretiva instrumentos dos mercados financeiros, a DMIF II, traz, não está necessariamente a redução de risco de misseling, de acordo com a presidente da CMVM. “Prognósticos só depois do jogo” diz Gabriela Figueiredo Dias, na conferência “O Futuro dos Mercados Financeiros”, no ISCTE.

Depois de ter apontado várias potencialidades da aplicação da nova diretiva, Gabriela Figueiredo Dias não se compromete com uma redução da prática de misseling, “não se pode afirmar isso dessa forma. É um conceito que tem vindo a vulgarizar-se” mas que “é muita coisa e pode não ser nada”, explica.

Na opinião da presidente do regulador dos mercados financeiros nacional, estas normas vêm contribuir sobretudo para “fazer o tracing e demonstrar com maior clareza onde houve irregularidades“. Caso já tivessem sido implementadas anteriormente, o cenário de vendas enganosas — de que em Portugal são exemplo o Banif e o BES — “não se pode afirmar que não tivesse ocorrido mas pelo menos com menores impactos“, acredita Gabriela Figueiredo Dias.

Para a presidente, o grande benefício da DMIF II em relação à versão anterior são os novos deveres da organização, “aspetos decisivos quase mais importantes que os de conduta”, embora estes últimos também saiam reforçados com a nova regulação.

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