Portugal disputa os 30 centros de serviços com a Europa

O secretário de Estado da Internacionalização revela que Portugal está a disputar dez centros de competência e 24 centros de serviços partilhados com a Europa, em especial Reino Unido e Suíça.

São muitos os países que estão a equacionar instalar em Portugal centros de competências e centros de serviços partilhados, mas são também muitos os países europeus que estão na corrida para captar esses mesmos centros. Reino Unido e Suíça, mas também países da Europa de Leste como a República Checa e a Polónia, são os principais adversários que Portugal tem de enfrentar para conquistar os cerca de 30 centros de serviços que a Aicep está a negociar, avançou ao ECO o secretário de Estado da Internacionalização Eurico Brilhante Dias.

O Jornal de Negócios (acesso pago) avançou esta segunda-feira que a Aicep está a negociar 30 potenciais projetos de centros de serviços semelhantes aos da alemã Devexperts, que anunciou no domingo que ia instalar-se no Porto. Os valores de investimento potencial estão fechados a sete chaves e as autoridades competentes apenas falam de potenciais empregos a criar com estas empresas — cerca de cinco mil — que vêm um pouco de todo o mundo: “Os principais países de origem são a Alemanha, EUA, França, Suíça e Reino Unido“, avançou ao ECO, o presidente da Aicep, Luís Castro Henriques, em respostas por escrito.

Mas que tipo de empresas estão em causa? “Existem duas tipologias: multinacionais que procuram desenvolver os seus centros de serviços partilhados, nomeadamente centros de serviços financeiros, que representam cerca de dois terços dos projetos que temos em pipeline, e empresas de base tecnológica que procuram Portugal para instalar Centros de Competências, por exemplo de desenvolvimento de software, nomeadamente nas áreas das TI, I&D e engenharia”, responde Castro Henriques.

Eurico Brilhante Dias precisa que em negociação estão “oito centros de competências na área de tecnologias de informação e comunicação (TIC), um de investigação e desenvolvimento e um de engenharia, provenientes da Alemanha, França, Reino Unido, Holanda, Estados Unidos e Brasil”. Já no que diz respeito aos centros de serviços partilhados estão em causa 24 projetos, explicou o secretário de Estado da Internacionalização, ao nível da contabilidade, serviços financeiros, gestão de recursos humanos, mas também TIC, de países como Estados Unidos, Alemanha, Irlanda, Reino Unido e Bélgica.

Estes projetos ainda estão todos em negociação e, por isso, ainda não apresentaram candidaturas a incentivos financeiros, seja do ponto de vista fiscal, seja comunitários. “Mas as empresas que decidem instalar os seus centros de competências em Portugal conhecem o sistema de incentivos existentes, nomeadamente no apoio à criação de emprego”, sublinhou Castro Henriques. “Apesar de a decisão não estar dependente desses incentivos, algumas empresas, depois de instaladas, concorrem aos apoios pelo que estes podem ser uma variável de decisão”, acrescentou.

Portugal está definitivamente na moda, nos últimos tempos, vários têm sido os nomes anunciados, sendo o mais emblemático o da Google, que surgiu em janeiro. Entre as grandes confirmações está também a Zalando e as já instaladas Daimler (Mercedes) e Uber. No campo das “suspeitas”, está a Amazon, que possivelmente escolherá também o norte do país para acolher algumas das suas operações.

A Google não é a responsável pela captação destes centros, mas é um bom cartão-de-visita. “Há marcas que falam por si. Quando quero ilustrar que somos competitivos a Google é um excelente exemplo”, diz Eurico Brilhante Dias.

Portugal está definitivamente nos radares dos investidores e a Google é apenas o exemplo mais sonante”, frisa, por seu turno Castro Henriques. “Fruto da sua atividade, a Aicep tem assistido nos últimos anos, principalmente desde 2014, a um número crescente de grupos internacionais que escolhem Portugal para as suas atividades de centros de desenvolvimento, cada vez mais eficientes e especializados. A maioria dos projetos que a Aicep tem em pipeline já estava na mira antes do anúncio da Google, pelo que esse eventual ‘efeito contágio’, a existir, ainda não se fez notar“, conclui o presidente da agência responsável por captar investimento estrangeiro para Portugal.

Quanto vale uma notícia? Contribua para o jornalismo económico independente

Quanto vale uma notícia para si? E várias? O ECO foi citado em meios internacionais como o New York Times e a Reuters por causa da notícia da suspensão de António Mexia e João Manso Neto na EDP, mas também foi o ECO a revelar a demissão de Mário Centeno e o acordo entre o Governo e os privados na TAP. E foi no ECO que leu, em primeira mão, a proposta de plano de recuperação económica de António Costa Silva.

O jornalismo faz-se, em primeiro lugar, de notícias. Isso exige investimento de capital dos acionistas, investimento comercial dos anunciantes, mas também de si, caro leitor. A sua contribuição individual é relevante.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Portugal disputa os 30 centros de serviços com a Europa

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião