Robôs de cozinha, iogurtes gregos e leggings vão contar para a inflação. Conheça as entradas e saídas do cabaz do INE

Os portugueses estão a comprar mais leggings, iogurtes gregos, massagens de beleza e robôs de cozinha. Estes produtos passaram a ser incluídos no cabaz do INE para estimar o sobe e desce dos preços.

300 produtos novos. Este é o número de entradas no cabaz de produtos a partir do qual o Instituto Nacional de Estatística (INE) está a estimar a inflação de 2018. Na lista passaram a estar o arroz basmati, iogurtes gregos, leggings, lâmpadas LED, massagens de beleza e também robôs de cozinha — produtos que estão a ser mais consumidos mais pelas famílias portuguesas. Mas também há saídas: a inflação disse adeus ao sabão azul e branco, varinha mágica, CD-ROM e trabalho de marceneiro.

Regularmente o INE revê a estrutura do cabaz de produtos cuja variação dos preços, aplicadas as ponderações, resulta na inflação. 2018 foi um ano com uma revisão particularmente expressiva uma vez que foi incorporada informação do Inquérito à Despesa das Famílias 2015/2016 na estrutura de despesa e bens e serviços incluídos no cabaz.

“Por razões de confidencialidade dos produtos específicos, cujos preços recolhe, o INE não pode fornecer listagens abaixo de um determinado nível de desagregação”, assinala fonte oficial do gabinete de estatísticas. No entanto, deu alguns exemplos ao ECO de produtos que entraram e saíram este ano, o que reflete o padrão de consumo da população portuguesa. Ou seja, os produtos que entram indicam o que passou a ser mais consumido em Portugal e o que saiu o que passou a ser menos consumido.

Neste caso, passam a contar para a inflação produtos como o arroz especial (basmati, integral, risotto, …), os iogurtes gregos, leggings, robôs de cozinha, lâmpadas LED e massagens de beleza. Estes foram os produtos “cuja despesa final de consumo das famílias passou a ser superior ao limiar de inclusão na amostra de 2018”, indica o INE. Por outro lado, os portugueses deixaram de consumir tanto sabão azul e branco, varinha mágica, CD-ROM para gravação e serviços de marceneiro.

As atualizações mais significativas do cabaz ocorrem após a divulgação dos resultados do Inquérito às Despesas das Famílias. Em 2017 não houve alterações à generalidade do cabaz, mas 2018 foi um ano de grandes mudanças. “Anualmente são essencialmente alteradas as amostras das categorias para as quais existe informação adicional de despesa mais atual, por exemplo para o tabaco, medicamentos, telecomunicações, automóveis, motociclos, passagens aéreas e serviços financeiros”, explica o INE.

Existem outras fontes de informação com periodicidades diferentes cujos dados ficam também na posse do INE. “A combinação de todas estas fontes de informação permite que o IPC [Índice de Preços ao Consumidor] tenha um processo de atualização anual, contínuo e sistemático de ponderadores e do cabaz de bens e serviços permitindo, desta forma, que o mesmo reflita alterações nos padrões de consumo”, esclarece o INE.

INE passa a olhar mais para os preços online

Além dos produtos em si, 2018 também trouxe outra mudança relativa ao método de recolha de preços. Este ano o INE passou a dar mais atenção aos preços online no caso de alguns produtos. Desde 2008 que faz essa recolha, mas agora estes passam a ser mais importantes, nomeadamente nos bens ou serviços relacionados com o turismo.

No destaque de janeiro sobre a inflação, o Instituto destacou “o aumento significativo de preços considerados em alguns subconjuntos de produtos, tendo sido alargada a recolha de preços online, nomeadamente nos automóveis, medicamentos, passagens aéreas e hotéis”. No caso dos últimos dois, como existe grande volatilidade, o preço online é recolhido em três momentos por mês.

A recolha de preços online apenas complementa ou substitui a recolha de preços em campo para as componentes do cabaz do IPC para as quais é possível a recolha de preços online”, explica fonte oficial do INE ao ECO.

Além dos preços online, em 2018 a inflação passará a ter uma base mais alargada de informação sobre os preços das rendas — que está incluída na categoria de habitação. O INE passou a ter acesso à informação dos Recibos Eletrónicos de Renda, na posse do fisco, o que permitiu alargar a amostra de três mil alojamentos para 300 mil.

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