Eurodeputados criticam nomeação de n.º 2 Juncker para secretário-geral Comissão

  • Lusa
  • 13 Março 2018

A maneira como o alemão Martin Selmayr foi designado a 21 de fevereiro para a função mais elevada da administração da Comissão Europeia indignou os eurodeputados.

Os deputados europeus criticaram esta segunda-feira, de forma viva, em Estrasburgo, a promoção relâmpago controversa do braço direito do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ao posto estratégico de secretário-geral da instituição.

A maneira como o alemão Martin Selmayr foi designado a 21 de fevereiro para a função mais elevada da administração da Comissão “destruiu toda a credibilidade da União Europeia como campeã da integridade e da transparência na administração pública, quando a confiança do público está no mínimo”, protestou a deputada holandesa liberal Sophia in’t Veld.

Um debate sobre a promoção, para surpresa geral, do alemão Martin Selmayr, de 47 anos, quando falta pouco mais de um ano para o fim do mandato do seu chefe, Jean-Claude Juncker, foi acrescentado ao programa da sessão plenária do Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo, perante uma polémica crescente em Bruxelas sobre as condições opacas desta nomeação.

Jean Claude Juncker e o seu número dois Martin Selmayr.

“As instituições europeias não pertencem aos altos funcionários, mas aos cidadãos europeus. Aqueles estão lá para servir os segundos, não para se servirem a eles mesmos”, denunciou a deputada francesa Françoise Grossetête, do grupo Partido Popular Europeu (PPE), de direita.

As instituições europeias não pertencem aos altos funcionários, mas aos cidadãos europeus. Aqueles estão lá para servir os segundos, não para se servirem a eles mesmos.

Françoise Grossetête

Eurodeputada PPE

No outro espetro político, o deputado holandês Dennis De Jong, do grupo Esquerda Unida, considerou que “tudo cheira mal nesta nomeação, tudo foi feito à porta fechada”. De Jong recordou que “parece que se está de regresso aos tempos da Comissão (do também luxemburguês) Santer”, que teve de se demitir em 1999, por fraude.

Comparação que também foi feita pelo dirigente dos liberais, o belga Guy Verhofstadt: “Se a Comissão Juncker não tiver cuidado, vai ter o mesmo destino que a Comissão Santer”, escreveu na sua conta na rede social Twitter.

Isto tresanda a nepotismo e abuso dos bens públicos. Graças a Deus, o Reino Unido vai-se embora!”, declarou o eurodeputado britânico Nigel Farage, promotor da saída britânica da União Europeia.

Numerosos deputados deploraram a ausência do próprio Juncker no hemiciclo, que deixou a representação da Comissão ao comissário do Orçamento, Gunther Oettinger. “Pensamos que Martin Selmayr é qualificado (para a função) sem qualquer dúvida. Pedimos-vos que controlem a decisão, mas também que a aceitem”, solicitou Oettinger aos eurodeputados.

A alemã Ingeborg Grassle, do PPE, adiantou que a comissão de Controlo Orçamental do PE ia examinar o procedimento da nomeação “na próxima semana”.

A provedora da União Europeia, a irlandesa Emily O’Relly, encarregada de inquirir sobre as queixas de má administração, indicou, também no Twitter, que recebeu duas queixas a propósito da nomeação de Martin Selmayr e que as vai “analisar”.

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