OCDE revê em alta previsões para G20 mas Zona Euro abranda

  • Marta Santos Silva
  • 13 Março 2018

A economia mundial deverá continuar a crescer até 4%, mas nem todos crescem tanto, e há riscos, desde o crescente protecionismo até ao abandono de reformas estruturais.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu em alta a maior parte das suas previsões económicas para os membros do G20 para 2018 e 2019, mas uma coisa mantém-se: a Zona Euro e o Reino Unido vão ver um abrandamento nos próximos anos. O PIB mundial vai manter um ritmo dinâmico de crescimento, de acordo com a OCDE, chegando aos 4% este ano e no próximo.

Nas suas previsões económicas, publicadas no Interim Economic Outlook do mês de março, divulgado esta terça-feira, a OCDE foi mais otimista do que na sua última publicação do género, em novembro de 2017. Desde os Estados Unidos até países como a África do Sul e a Turquia, o crescimento “deverá ser muito mais robusto do que se antecipava antes”.

Mas a OCDE não esquece as recomendações. Embora a economia mundial esteja numa fase de grande pujança e de conjuntura positiva, fica um aviso: os países devem aproveitar o momento para melhorarem as suas circunstâncias nacionais. “Tanto as economias avançadas como as emergentes devem aproveitar a janela de oportunidade que dá uma economia global mais forte para levar a cabo as reformas estruturais que são necessárias para impulsionar a formação, o emprego e os salários”, lê-se no relatório.

Previsões da OCDE para 2018 e 2019

Dados: OCDE.

Nem todas as previsões são positivas. Para o Reino Unido, por exemplo, a OCDE prevê abrandamentos no crescimento tanto em 2018 como em 2019, ao mesmo tempo que o aumento da inflação afeta os rendimentos das famílias, “por entre uma incerteza contínua sobre a relação futura entre o Reino Unido e a União Europeia” que afeta o investimento das empresas.

Na Zona Euro, a OCDE vê um ritmo de crescimento que “deverá manter-se robusto e alargado”, graças ao aumento do investimento e da forte procura mundial. Mas o grupo não deverá manter sempre o mesmo nível de crescimento — se os países da moeda única cresceram 2,5% em 2017, a OCDE prevê 2,3% em 2018 e 2,1% em 2019, o que é uma revisão em alta relativamente às previsões de novembro.

Boa altura para reformas estruturais

A OCDE assinala que os governos nacionais devem saber aproveitar este momento positivo na economia mundial. Isto vale tanto para as economias mais avançadas como para as emergentes, sublinham os economistas — as previsões positivas a curto prazo só se podem traduzir em resultados a médio termo se forem postas em prática reformas estruturais que incentivem o investimento, o comércio livre e a produtividade.

Porque é que uma boa conjuntura económica deve ser aproveitada para implementar reformas? Por um lado, os custos a curto prazo de implementar reformas profundas podem ser menos intensos em alturas de crescimento do emprego e da procura. Por outro lado, importa procurar aumentar a inclusividade do mercado de trabalho nestas alturas, promovendo a integração dos grupos menos representados, desde as minorias étnicas às mulheres.

“No entanto, (…) os esforços reformistas abrandaram tanto nas economias de mercado avançadas como nas emergentes, inclusive em 2017”, continua a OCDE. A organização avisa: as tendências para o protecionismo e a diminuição do impulso reformista são dois grandes riscos para a prosperidade mundial.

Num momento em que os Estados Unidos ameaçam impor tarifas às importações de aço e de alumínio e em que União Europeia está a pensar retaliar com inúmeras tarifas sobre o sumo de laranja, manteiga de amendoim ou jeans, a OCDE considera, nas suas previsões que o protecionismo é uma das outras grandes fontes de tensão. “O protecionismo comercial é um risco chave que afetaria negativamente a confiança, o investimento e os empregos”, continua o relatório, referindo o conflito internacional relativo à possibilidade da implementação de tarifas sobre o aço. “Os governos de economias que produzem aço devem tentar evitar escalar o conflito”, escrevem os economistas da OCDE, “e procurar soluções globais para reduzir a capacidade excessiva da indústria global de aço”.

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