Marques Mendes: “Já houve um recuo enorme no Montepio”

Para o comentador falta transparência no dossier Montepio. E defende que o relatório de avaliação independente do Haitong deveria ser divulgado sob pena de alimentar suspeitas de gestão danosa.

Se a entrada da Santa Casa no Montepio não for bem explicada vai levantar suspeitas de má gestão e gestão danosa, defendeu Luís Marques Mendes, para quem já houve um recuou enorme neste tema. Ainda com contactos a serem ultimados, o comentador sublinha a estranheza do valor que a Santa Casa está disposta a pagar pelo Montepio e pede que seja revelada a avaliação independente levada a cabo pelo Haitong.

“A Santa Casa pediu uma avaliação independente ao Haitong. Parece que só está nas mãos do provedor”, frisou Marques Mendes, no seu espaço de cometário semanal na Sic. “Parece que está a esconder. Porque é que não é tornada pública? O que lá está não se pode saber?”, questionou, acrescentado ainda mais uma dúvida: “O Governo vai aprovar a operação sem conhecer e sem divulgar o estudo?”.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia disse na sexta-feira que o estudo encomendado ao Haitong “diz que o Montepio tem um valor um pouco abaixo do que diz a Associação Mutualista Montepio Geral”, liderada por Tomás Correia. Edmundo Martinho, em entrevista à SIC Notícias, sublinhou que “o estudo aponta para um valor entre 1.600 e 1.700 milhões de euros”, sendo que a Associação Mutualista avalia o banco em pouco mais de 1.800 milhões.

“Este processo exige transparência”, defende. Na sua opinião o problema é o valor que a Santa Casa vai pagar para entrar no capital do Montepio. Sublinhando que desde o início do processo “já houve um recuo enorme”, o antigo presidente do PSD considera que todos os alertas que já foram feitos “valeram a pena”. Isto porque, no final do ano passado, o que estava em cima da mesa era a copra de 10% do Montepio por 200 milhões de euros. Neste momento, o que está em cima da mesa é “comprar só 1%” do capital. “Uma coisa simbólica, só para salvar a face”, diz Marques Mendes usando a mesma expressão do próprio provedor na entrevista a Diário de Notícias e TSF. A é “participação simbólica, porque representa o nosso empenho neste projeto, mas não é assim, tão simbólica no valor”, frisou Edmundo Martinho.

“Em causa está um valor de 18 a 20 milhões e Edmundo Martinho ser indicado como administrador não executivo do Montepio e eventualmente o provedor da Misericórdia do Porto como presidente da assembleia-geral”, avançou Marques Mendes.

Mas o problema reside no valor. Comprar 1% do capital do Montepio por 20 milhões significa que o banco está a ser a avaliado por dois mil milhões. Coisa que “o banco não vale”. “O BPI em bolsa vale 1,7 mil milhões de euros em bolsa e o BPI tem uma quota de mercado que é sensivelmente o dobro do Montepio“. Aplicando este cálculo “o Montepio valerá 800 milhões ou mil milhões, metade do que a Santa Casa está a estimar”, frisa Marques Mendes. “Se isto não for bem explicadinho há aqui uma suspeita de má gestão, favorecimento ou gestão danosa”, concluiu.

A decisão deverá ser tomada “a muito curto prazo”, porque “os contactos ainda estão a ser ultimados”. “Ainda anteontem, o provedor esteve reunido com a secretária geral adjunta do PS, Ana Catarina Mendes e, portanto, tem andado em vários contactos”. Recorde-se que tanto Tomás Correia, na entrevista que deu na RTP3, como o provedor, Edmundo Marinho na entrevista a Diário de Notícias e TSF, colocam a entrada da Santa Casa no Montepio dentro de duas semanas.

“Este é um tema central e dos mais difíceis para o Governo”, acrescentou vaticinado que o processo “ainda vai dar muito que falar e que a “procissão ainda vai no adro”.

 

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