REN e EDP nem querem ouvir falar de linhas subterrâneas

  • ECO
  • 25 Março 2018

Decreto-lei que sugere que as linhas de alta e muito alta tensão sejam enterradas está a gerar desconforto na REN e na EDP Distribuição. Custo é pelo menos duas vezes mais do que o das linhas aéreas.

A REN e a EDP Distribuição rejeitam a ideia de enterrar linhas de alta e muito alta tensão para minimizar os impactos da instalação destas infraestruturas. A passagem dos cabos por debaixo do solo é uma das soluções que se depreende da nova lei aplicada a estas estruturas de transporte de energia e que incide, sobretudo, nestas duas empresas. Mas está a gerar desconforto às energéticas — o argumento é o de que enterrar as linhas custa pelo menos o dobro do preço, avançou este domingo o Diário de Notícias.

Segundo o jornal, a nova lei proíbe estas linhas de passarem por cima de hospitais, escolas, lares de terceira idade, instalações desportivas e edifícios residenciais. Em causa estão potenciais prejuízos para a saúde pública devido aos campos eletromagnéticos. Contudo, quer a REN quer a EDP Distribuição garantem que já cumprem as normas de segurança no que toca a este aspeto e dizem que a solução de enterrar a cablagem é demasiado dispendiosa.

Quanto mais? Rodrigo Costa, líder da REN, terá falado num preço duas vezes superior ao normal durante a conferência de apresentação de resultados da companhia. Já a EDP Distribuição garantiu ao Diário de Notícias que uma rede de linhas subterrâneas de alta e muito alta tensão “tem um custo seis vezes superior a uma rede aérea”. Algo que o relatório do grupo de trabalho para os campos magnéticos, que foi publicado no ano passado, já tinha alertado, falando em custos “13 a 20 vezes” mais elevados.

O decreto-lei em causa prevê que sejam adotadas “soluções técnicas de minimização dos impactos da instalação da linha de transporte ou de distribuição de eletricidade sobre as infraestruturas”, cita o jornal. Mas também tem aspetos que são bem vistos pelas empresas. “Há algo que nos agrada na nova lei, que é a possibilidade de disponibilizar oficialmente os níveis de monitorização”, afirmou João Faria Conceição, administrador da REN. “Vai permitir demonstrar que as linhas de alta tensão, em termos de campos eletromagnéticos, são menos nocivas do que um secador de cabelo, por exemplo”, disse.

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