Vice do Facebook diz que a empresa é muito lenta a reagir a crises

  • Juliana Nogueira Santos
  • 6 Abril 2018

Em entrevista, Sheryl Sandberg assume as dificuldades em lidar com momentos de crise, bem como a incapacidade de saber, até agora, o que aconteceu com os dados. 

Sheryl Sandberg é a responsável pelas operações do Facebook.World Economic Forum

Com o número de afetados pelo caso da Cambridge Analytica a avançar de 50 milhões para 87 milhões de utilizadores do Facebook, a rede social, pela voz da chefe operacional Sheryl Sandberg, assume as dificuldades em lidar com momentos de crise, bem como a incapacidade de saber, até agora, o que aconteceu com os dados.

“Quando tudo isto aconteceu, foi um erro meu e de Mark não falar mais cedo e mais rápido”, apontou Sandberg em declarações ao Financial Times. “Queríamos ter a certeza que sabíamos exatamente o que estávamos a fazer antes de falar.”

O público ficou a saber que os dados de 50 milhões de perfis tinham sido comprometidos através da utilização de aplicações de terceiros na rede social. Mark Zuckerberg demorou cinco dias a responder às acusações, admitindo-as e pedindo desculpa pela quebra de confiança.

"Até ao dia de hoje, ainda não sabemos que dados que é que Cambridge Analytica tem.”

Sheryl Sandberg

Chefe de Operações do Facebook

Sandberg afirmou ainda que a empresa não sabe exatamente o que aconteceu aos dados obtidos pela Cambridge Analytica, porque não foi capaz de conduzir a sua investigação até as autoridades envolvidas terminarem a sua. “Até ao dia de hoje, ainda não sabemos que dados que é que Cambridge Analytica tem”, confessou a responsável operacional da rede social.

Ainda assim, Sheryl garante que os utilizadores podem manter a confiança na rede social, tal como Mark já tinha apontado no seu pedido de desculpas, uma vez que estão a ser implementadas mudanças a cada dia que passa. Contudo, a gestora não descarta as suas responsabilidades neste campo, uma vez que é a chefe das operações da empresa.

“Errámos e eu assumi a responsabilidade, são-me imputados”, acrescentou ainda Sandberg. “São assuntos operacionais que precisamos de mudar nesta empresa e que estamos a mudar. Temos de aprender com os nossos erros e agir.”

Mais de 60 mil portugueses podem ter sido afetados

Ainda que o escândalo da Cambridge Analytica tenha começado em território norte-americano, este terá tantos tentáculos quanto um polvo. Esta semana a empresa avançou que os dados de mais de 60 mil utilizadores portugueses poderão ter sido comprometidos e passado para as mãos da empresa de análise política.

O número de utilizadores potencialmente afetados resulta de uma “metodologia expansiva” que inclui aqueles que utilizaram a aplicação “thisisyourdigitallife” e os seus amigos do Facebook. Ou seja, a esmagadora maioria dos utilizadores potencialmente afetados não só não interferiram no processo de recolha de dados, como nem tiveram conhecimento dele.

Este caso já levou à demissão do chefe de segurança de dados, um dia após ter sido conhecido, e fez com que a empresa baixasse da barreira dos 500 mil milhões de valor de mercado. Um coro de críticos tem também afirmado que está na altura de Mark Zuckerberg sair da liderança da empresa.

Um dos acionistas da empresas, Scott Stringer, disse ao Business Insider que “Zuckerberg deveria ser substituído por um presidente independente” e ainda que a equipa da empresa deveria integrar “três novos diretores com experiência em dados e ética para ajudar a fiscalizar os esforços do Facebook em privacidade”.

Também as empresas estão a aderir em massa ao movimento #deletefacebook, que incentiva os utilizadores a apagarem as suas contas não só por questões de segurança, para evitar a má utilização dos seus dados, mas também como forma de protesto.

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