Lula da Silva confirma que se vai entregar às autoridades

O ex-presidente brasileiro confirmou que vai entregar-se à justiça brasileira. "Quanto mais me atacam, mais cresce a minha relação com o povo brasileiro", disse, referindo que "o golpe não terminou".

Lula da Silva anunciou que se vai entregar às autoridades para “transferir responsabilidade” para a justiça brasileira. “Sou um cidadão indignado”, diz, acusando o Ministério Público de ter mentido e de criar um clima de “quase guerra”, além de ter “passado a ideia” para a opinião pública de que é “ladrão”. “Eu não estou acima da justiça“, afirmou, assinalando que, no entanto, não pode admitir um procurador que diz que o PT é uma “organização criminosa”. “Um ladrão não estaria a exigir provas“, acrescentou.

“Quanto mais me atacam, mais cresce a minha relação com o povo brasileiro”, afirmou o ex-presidente brasileiro este sábado, referindo que quer fazer um debate com Sérgio Moro, o magistrado que o condenou à prisão. “Qual é o crime que eu cometi neste país?“, questionou, atacando a justiça brasileira que o condenou. Lula da Silva recorda a sua origem enquanto metalúrgico e o que fez pelos pobres no seu mandato, algo que diz contrastar com as ideias das elites do Brasil.

Lula da Silva garante que não é contra o processo Lava Jato, mas passa ao ataque aos magistrados e à imprensa, em específico à estação de televisão Globo e à revista Veja. “O problema é que você não pode fazer julgamento subordinado pela imprensa. Você destrói as pessoas na sociedade e depois o juiz diz que não pode ir contra a opinião pública”, afirmou Lula da Silva, instando que quem quer seguir a opinião pública deve candidatar-se à Presidência da República, eleições que decorrem em outubro. Para o ex-presidente “quanto mais forte for a instituição [Ministério Público], mais responsável os seus membros têm de ser“.

O golpe não terminou com a Dilma. O golpe só vai concluir quando conseguirem que o Lula não seja candidato à Presidência da República. Eles não querem o Lula de volta”, apontou Lula da Silva, argumentando que as elites não querem que os “pobres” se candidatem às eleições. Ao lado de Dilma Rousseff, Lula disse no início do discurso que a presidente destituída é “das mulheres mais injustiçadas que alguma vez ousou fazer política” no Brasil. “Não teria sido o que fui se não fosse a companheira Dilma“, disse, referindo o papel de Rousseff na sua presidência entre 2003 e 2010.

“Eu não sou um ser humano, eu sou uma ideia”, disse Lula da Silva para justificar a sua entrega às autoridades judiciais, referindo que existem múltiplos “Lulas” no Brasil. “Todos vocês vão virar Lula e andar por esse país“, afirmou o ex-presidente brasileiro, pedindo aos seus apoiantes ação para que “o povo não seja vítimas das mentiras”. “Eles têm que saber que vocês são mais inteligentes do que eu“, disse, referindo que teve várias “ofertas” de imunidade que recusou porque quer “enfrentá-los no olho”.

Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a chegada da Primavera e a nossa luta é a chegada da Primavera“, rematou, recordando também a morte de Marielle Franco, a ativista brasileira morta no mês passado no Rio de Janeiro. Para Lula da Silva “a história daqui a alguns dias vai provar que quem cometeu o crime foi o magistrado que me julgou e o Ministério Público”. No fim do discurso, Lula deixou a garantia aos seus apoiantes de que vai sair reforçado deste processo e que vai provar a sua inocência.

Para o futuro, já enquanto presumível candidato às próximas eleições, Lula prometeu fazer uma nova Constituinte, revogando a lei do petróleo, evitando a venda da Caixa e apostando na educação e na agricultura produzida no país. “Eles têm que saber que a morte de um combatente não para a revolução“, defendeu.

O que está previsto é que Lula vá da sede do Sindicato dos Metalúrgicos para a polícia federal e, depois, de helicóptero para o aeroporto de Curitiba.

Este sábado realizou-se a missa em nome da mulher de Lula da Silva, Marisa Letícia, que morreu no ano passado. O discurso de Lula no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, em São Paulo, foi transmitido em direto pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no Facebook. O ex-presidente brasileiro aproveitou a ocasião para cumprimentar os seus apoiantes presentes na cerimónia.

(Notícia atualizada pela última vez às 17h06 com mais declarações do ex-presidente do Brasil)

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