Sporting quer adiar pagamento da dívida que vence no próximo mês por causa da crise

  • Juliana Nogueira Santos
  • 10 Abril 2018

A SAD do Sporting diz que a turbulência que se vive no clube poderá pôr em causa a próxima emissão obrigacionista. E vai propor, em AG, atrasar o reembolso da última emissão que vence em maio.

O Sporting Clube de Portugal informou esta terça-feira os mercados que a realização de uma Assembleia Geral (AG) do clube ou Assembleia de Acionistas da SAD para a destituição dos seus órgãos sociais ou para a eleição de novos órgãos poderá pôr em causa uma “nova oferta obrigacionista” de 30 milhões de euros.

Em comunicado divulgado à CMVM, a SAD leonina afirma que “as recentes tomadas de posição públicas por terceiros”, bem como a realização de uma possível Assembleia de Acionistas ou de Sócios para a destituição dos órgãos sociais ou eleição de novos “vêm prejudicar gravemente a concretização da nova oferta obrigacionista”, no valor mínimo de 30 milhões de euros, a ocorrer em maio.

O Sporting afirma que esta operação servirá para reembolsar um empréstimo obrigacionista emitido em 2015, com vencimento em maio de 2018, sendo também “fundamental para o cumprimento de compromissos financeiros da Sporting SAD (…) e ainda o financiamento de operações de tesouraria da SAD.” Ou seja, a SAD está a contar com o dinheiro da nova emissão para pagar a emissão mais antiga que vence agora.

Nestas circunstâncias, o Conselho de Administração vai, ele próprio, solicitar a convocatória de uma assembleia acionistas da Sporting SAD que tenha como ponto de deliberação “a emissão da referida nova oferta obrigacionista”, bem como outra assembleia de obrigacionistas para “a prorrogação do prazo de reembolso final” da emissão de 2015, “para nunca antes de novembro de 2018”, ou seja, pelo menos seis meses após o previsto.

No mesmo comunicado, a SAD considera que as declarações públicas — não especifica quais — foram “extemporâneas e lesivas, até atendendo aos resultados financeiros no Clube e na Sporting SAD“, sendo que “têm igualmente influência negativa na valorização da sociedade desportiva, pelos efeitos negativos no valor das ações da mesma”. Recorde-se que as ações do clube continuam congeladas na bolsa de Lisboa.

A situação turbulenta no Sporting iniciou-se na passada quinta-feira, quando, depois de o clube ter perdido na Liga Europa contra o Atlético de Madrid, o presidente se serviu da sua conta do Facebook para criticar os jogadores. No dia a seguir, os jogadores uniram-se em protesto contra o sucedido, o que levou Bruno de Carvalho a dizer que iria suspender os mesmos.

O coro de críticas começou nas redes sociais e espalhou-se para Alvalade, com a maioria dos sócios a mostrar o seu desagrado em torno da atitude do presidente. Mais tarde chegou ao presidente da mesa da Assembleia Geral do Sporting, Jaime Marta Soares, com este a pedir a saída de Carvalho — e até a dizer que, se este não apresentar a sua demissão, a Assembleia Geral o poderá destituir.

Já o maior acionista do Sporting, a Holdimo de Álvaro Sobrinho, informou que vai pedir uma assembleia-geral da Sporting SAD com urgência, para dar conta do ponto do situação. A empresa investiu mais de 20 milhões de euros em ações em 2013, ficando a deter 29,85%, segundo o número do último relatório de contas.

(Notícia atualizada pela última vez às 14h15)

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