“Tremendo apetite”: Investidores queriam comprar 16 mil milhões de dívida portuguesa

Tesouro garantiu mais três mil milhões através de uma emissão sindicada. Resultado da operação fala em "tremendo apetite" dos investidores. Portugal já conseguiu 9,5 mil milhões com mais esta emissão.

Portugal já assegurou mais de metade das suas necessidades de financiamento com dívida de longo prazo para este ano, isto após ter levantado esta quarta-feira mais três mil milhões de euros na segunda operação sindicada do ano.

O IGCP, que é a entidade responsável pela gestão da dívida pública, espera financiar-se em 15 mil milhões de euros apenas com emissões de obrigações do Tesouro ao longo de 2018. Em comunicado, em que é feito o balanço da operação, o IGCP diz precisamente que com esta “Portugal completou cerca de 2/3 do plano de financiamento” previsto para este ano.

A verdade é que mais 60% desse financiamento de longo prazo ficou já hoje garantido, quando nem quatro meses passaram desde o início do ano: 6,5 mil milhões de euros já haviam sido obtidos no primeiro trimestre; o montante subiu agora para os 9,5 mil milhões de euros com mais esta emissão sindicada – esta quarta-feira, o IGCP pagou um juro de 2,325% para colocar obrigações com maturidade em 2034, numa operação que registou forte interesse do mercado.

O IGCP salienta o “tremendo apetite” que esta despertou, e que justificou mesmo o aumento do montante da colocação. O objetivo inicial do entidade liderada por Cristina Casalinho era colocar 2,5 mil milhões de euros, valor que foi incrementado para os 3 mil milhões de financiamento que acabaram por ser angariados.

Diz ainda que esta nova linha de obrigações do Tesouro (OT) a 15 anos disponibiliza ao mercado um novo ponto de referência na curva de Portugal, que vem preencher o intervalo entre a linha de OT com maturidade a 15 de fevereiro de 2030 e a que vence a 15 de abril de 2037. “Esta é a primeira referência de OT lançada nesta maturidade desde 2014“, diz ainda a entidade liderada por Cristina Casalinho.

Em termos do perfil de investidores que participaram na operação, 30,7% ficou nas mãos de fundos de investimento, cabendo aos bancos 25,2%, logo seguidos pelas seguradoras e fundos de pensões, com 22,3% do total do financiamento disponibilizado.

Aparentemente, Portugal está a acelerar o ritmo das suas emissões neste arranque de ano. E há razões mais do que suficientes para isso acontecer, aponta o analista chefe do Danske Bank, Jens Peter Sørensen.

“Parte da explicação tem a ver com o reembolso de 6,6 mil milhões que Portugal terá de fazer em junho. Mas também há muitas amortizações a acontecer em abril e maio, pelo que há excesso de cash para ser reinvestido”, explica o especialista ao ECO.

"Parte da explicação tem a ver com o reembolso de 6,6 mil milhões que Portugal terá de fazer em junho. Mas também há muitos resgates a acontecer em abril e maio, pelo que há excesso de cash para ser investido.”

Jens Peter Sørensen

Analista chefe do Danske Bank

Na verdade, o Ministério das Finanças já tinha adiantado ao ECO que estava a reforçar a sua almofada financeira para fazer face a uma grande devolução que o Tesouro português terá de fazer ao mercado no próximo dia 15 de junho. “Haverá um aumento proporcional dos depósitos, que será revertido em junho, com a amortização da linha de obrigações do Tesouro que vence nesse mês e cujo saldo vivo ascende a 6,6 mil milhões de euros”, sublinhou o ministério tutelado por Mário Centeno há uma semana. Ou seja, Portugal continua a encher os cofres para pagar esse cheque de junho.

Mas Sørensen vê mais motivos de interesse para Portugal se financiar através de sindicatos bancários. “Um maior número de emissões significa que o Banco Central Europeu pode comprar mais dívida portuguesa”, sublinha. E porquê emitir com o prazo a 15 anos?

“O segmento de 15 anos tem sido negligenciado pelos Governos. As emissões da parte dos emitentes core têm sido limitadas neste segmento. Por isso, estas novas emissões são mais atrativas para os emitentes face aos elevados cupões das obrigações antigas”, diz.

“Por outro lado, estas obrigações dão maior flexibilidade em termos de financiamento e alisa o perfil de reembolsos do país“, acrescenta o analista do Danske Bank.

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