Investimento público sobe 378 milhões de euros em 2019, o último da legislatura

No Programa de Estabilidade, o Executivo revê em alta o peso do investimento público no PIB até 2022 face ao que previa há um ano.

O investimento público vai crescer 8% em 2019 em relação a este ano, para quase 5.000 milhões de euros, em resultado do aumento do seu peso na economia. No último ano da legislatura, o Executivo espera gastar mais 378 milhões do que em 2018, revelam os números do Programa de Estabilidade apresentado esta sexta-feira pelo ministro das Finanças.

Mário Centeno espera que o investimento público, medido através da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), atinja os 2,3% do PIB em 2018 (o mesmo peso que estava previsto no Orçamento do Estado aprovado em outubro passado), para passar para 2,4% do PIB em 2019 e 2,6% do PIB em cada um dos anos seguintes até 2022.

Estes valores representam uma revisão em alta dos que o Governo tinha previsto há um ano, quando o Executivo atualizou o Programa de Estabilidade pela última vez. Nessa altura, o ministro das Finanças acreditava que a FBCF pesaria 2,1% no PIB este ano e em cada um dos seguintes (até 2021 — o último ano do horizonte daquela projeção).

As novas previsões representam um crescimento de 378 milhões de euros no investimento público entre 2018 e 2019 e são já uma primeira indicação sobre as linhas com que se cose o Orçamento do Estado para 2019 — o último da legislatura.

A necessidade de reforço do investimento público tem sido uma das principais exigências da esquerda junto do Governo. Bloco e PCP querem que a folga orçamental seja usada para os serviços públicos em vez de na redução do défice.

Mário Centeno não abdica, porém, do objetivo de continuar a baixar o desequilíbrio das contas públicas, mas no Programa de Estabilidade o Governo decidiu detalhar um conjunto de investimentos prioritários, avaliados em cerca de 7.000 milhões de euros entre 2018 e 2022. Algumas das obras ali mencionadas já se encontram em execução.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Investimento público sobe 378 milhões de euros em 2019, o último da legislatura

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião