FMI mais otimista do que Mário Centeno no PIB deste ano

O Fundo Monetário Internacional prevê que economia portuguesa cresça 2,4% em 2018. Contudo, antecipa uma desaceleração mais forte em 2019.

Já é ponto assente que a economia vai arrefecer este ano, após ter atingido um máximo de 17 anos em 2017. No Programa de Estabilidade (PE) divulgado na passada sexta-feira, Mário Centeno prevê que o PIB desacelere para os 2,3%. Contudo, há uma instituição mais otimista: no World Economic Outlook divulgado esta terça-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o PIB cresça 2,4% em 2018.

No Orçamento do Estado para 2018 (OE2018), em outubro do ano passado, o ministro das Finanças esperava que a economia fosse crescer 2,2%. Mas o PE 2018-2022 veio rever o valor em alta para 2,3%, apesar de Mário Centeno ter vincado várias vezes que o cenário com que o Ministério das Finanças está a trabalhar é “conservador” e “prudente”. Na ótica do Fundo Monetário Internacional há razões para acreditar que a economia não vai desacelerar tanto.

Projeções para o PIB de 2018 e de 2019

Fonte: Conselho das Finanças Públicas (CFP), fevereiro de 2018. Comissão Europeia (CE), fevereiro de 2018. Ministério das Finanças (MF), abril de 2018. Banco de Portugal (BdP), março de 2018. Fundo Monetário Internacional (FMI), abril de 2018.

Em Washington os técnicos do FMI projetam que a economia portuguesa cresça 2,4% este ano, a projeção mais otimista entre as principais entidades nacionais e internacionais neste momento. Esta é a mesma previsão que o Fundo aponta para o crescimento económico da Zona Euro (2,4%), o que levaria Portugal a convergir com os seus parceiros europeus. Ainda assim, Portugal crescerá novamente abaixo de Espanha (2,8%), o seu principal parceiro comercial.

O World Economic Outlook de abril revê em alta das projeções para a Zona Euro divulgadas em outubro do ano passado. Ou seja, o FMI está mais otimistas quanto à evolução da economia europeia, graças a uma procura interna “mais forte do que o esperado”, a política monetária acomodatícia e uma melhoria nas perspetivas da procura externa. Contudo, o crescimento a médio prazo deverá estabilizar em 1,4% face à baixa produtividade, poucas reformas estruturais e o efeito desfavorável da demografia.

O otimismo do Fundo alarga-se também à evolução do mercado de trabalho. O FMI prevê que a taxa de desemprego desça para 7,3%, uma projeção inferior aos 7,6% previstos pelo Governo no Programa de Estabilidade. A confirmar-se, a taxa de desemprego em Portugal seria mais baixa do que a média da Zona Euro.

Para 2019, o cenário muda. Mário Centeno é o único que espera uma estabilização do crescimento económico. Ou seja, que o PIB cresça 2,3% também no próximo ano. As restantes projeções das instituições estão todas sincronizadas: a economia vai desacelerar ainda mais, saindo da casa dos 2%. No caso do FMI, os técnicos estimam uma subida do PIB de 1,8%, abaixo da média da Zona Euro (2%).

No total, o crescimento mundial deverá atingir os 3,9% em 2018 e em 2019, uma pequena aceleração face aos 3,8% registado no ano passado. No caso das economias avançadas, 2018 vai ser um pico no crescimento económico (2,9%), acima dos 2,3% de 2017, mas abaixo dos 2,7% em 2019 — o que indica uma desaceleração generalizada das economias desenvolvidas nos próximos anos, efeito da retirada dos estímulos da política monetária.

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