Endividamento da economia cresce. Já são 721 mil milhões

Dívida pública fez aumentar endividamento da economia portuguesa em fevereiro, tendo atingido os 721 mil milhões de euros. É o valor mais elevado desde setembro do ano passado.

O endividamento da economia aumentou em fevereiro pelo segundo mês consecutivo. Foi por causa do crescimento da dívida pública que a dívida do setor não financeiro — que compreende famílias, empresas privadas e setor público não financeiro — subiu em dois mil milhões de euros para atingir os 721 milhões de euros no final daquele mês. É o valor mais elevado desde setembro.

“Em fevereiro de 2018, o endividamento do setor não financeiro situava-se em 720,9 mil milhões de euros”, diz o Banco de Portugal na nota de informação estatística divulgada esta quinta-feira. “Relativamente a janeiro de 2018, o endividamento do setor não financeiro aumentou dois mil milhões de euros”, refere o banco central.

“Este aumento deveu-se ao acréscimo de 2,5 mil milhões no endividamento do setor público, o qual foi parcialmente compensado pela diminuição de 500 milhões de euros no endividamento do setor privado”, explica ainda.

Dívida da economia atinge máximo de cinco meses

Fonte: Banco de Portugal

No que toca à subida da dívida pública, o IGCP foi ao mercado durante o mês de fevereiro financiar-se em 1.250 milhões de euros em obrigações do Tesouro a cinco e a dez anos e ainda em 1.100 milhões de euros em bilhetes do Tesouro a três meses e 11 meses. Isto para lá do montante levantado com a colocação de dívida junto do retalho (certificados de aforro e do Tesouro).

Segundo explicou o Ministério das Finanças, este aumento da dívida de longo prazo prende-se com o reforço da almofada financeira para fazer face ao reembolso de 6,6 mil milhões de euros em junho. “Durante o primeiro trimestre de 2018 antecipa-se um ligeiro aumento da dívida bruta, consistente com a estratégia de financiamento para este ano, mas sem impacto na dívida líquida”, explicou o ministério ao ECO.

Cristina Casalinho, presidente do IGCP, sublinhou também que é habitual um soberano assegurar até 65% do financiamento do ano logo no primeiro semestre. “A justificação desta regra assenta no próprio calendário, ou seja, no segundo semestre temos menos dois meses para emitir: agosto e dezembro”, explicou a gestora da dívida pública ao ECO.

Banco de Portugal revê série

Com a atualização de fevereiro veio uma revisão importante naquilo que é o tratamento estatístico da série do “Endividamento do setor não financeiro” do Banco de Portugal. E, por causa das alterações introduzidas, a dívida da economia baixou “administrativamente”. Por exemplo, no reporte de janeiro, o banco central dava conta de uma dívida total de 721,3 mil milhões. Mas esse montante de janeiro baixou para os 718,8 mil milhões com a revisão de fevereiro.

Explica o supervisor liderado por Carlos Costa: “O Banco de Portugal alterou, para toda a série temporal, o detalhe por setor de atividade económica que é apresentado para as empresas privadas.”

Na nota explicativa, o Banco de Portugal clarifica as mudanças que foram operadas na série: as Sociedades Gestoras de Participações Sociais, as chamadas SGPS, já não são mais consideradas sociedades não financeiras passando a contar como instituições financeiras em termos estatísticos.

“Esta alteração está de acordo com o Sistema Europeu de Contas Nacionais e Regionais que considera como sociedades financeiras as Sociedades Gestoras de Participações Sociais (SGPS) que detêm ativos financeiros e passivos e não prestam qualquer serviço de gestão. (…) Esta classificação está agora totalmente implementada nas estatísticas do endividamento do setor não financeiro, garantindo a consistência entre o setor de atividade económica e o setor institucional”,

(Notícia atualizada às 11h35)

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